Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

Quem não gosta do Dr. Pardal?

Pardal Henriques matérias perigosas.jpg

A greve dos motoristas de matérias perigosas foi suspensa, mas será reactivada se as empresas se mantiverem irredutíveis na negociação apenas para não dar o braço a torcer àquele que já as venceu, Pardal Henriques.

Este foi o grande vencedor até ao momento.

Há quantos anos não eram mexidos os salários dos motoristas? Há muitos e as empresas recusavam revisões salariais.

A FECTRANS apanhou o comboio de Pardal Henriques e das matérias perigosas e conseguiu negociar um acordo que há anos os patrões negavam,

O SIMM que também tinha apanhado boleia de Pardal Henriques e do seu sindicato, também abandonou o movimento depois de ter conseguido ter ganhos salariais à custa de Pardal Henriques.

Pardal Henriques pode ter muitos defeitos, mas revelou-se um excelente negociador até ao momento. E isso é que causa raiva às empresas e ao governo.

O Governo mostrou a sua habitual incapacidade e falta de habilidade. Foi abandonado pelo PCP, pelo BE e foi apoiado essencialmente pela comunicação social servil, servil desse mesmo governo e das associações patronais. Uma vergonha jornalística.

Na prática, foi decretado em Portugal uma forma de Estado de Sítio particular. O governo achou que isto era quase uma pré guerra civil. Incitou portugueses contra portugueses, defendeu empresas, desculpabilizou eventuais falcatruas das empresas, perseguiu e espezinhou trabalhadores.

Então se caíssem as pontes de Lisboa ou as do Porto? Não tínhamos que continuar a viver? E se houvesse um terramoto terrível? Quando colocaram bombas que impediram o abastecimento de água a Lisboa em 1975, tinha eu um bebé recém nascido, não continuamos a viver?

O governo aproveitou a situação para dar espectáculo e fazer4 campanha eleitoral. O pior é que fez isto dentro do seu horário de trabalho, enquanto estava a ser pago por nós para o desenvolvimento do país, para a concórdia entre portugueses, para o bem estar de todos os portugueses.

De facto, se a situação fosse crítica, em algum momento, o Presidente da República teria puxado as orelhas ao ministro Costa, como já aconteceu publicamente. Mas não o fez e até passeou de camioneta ao lado de um motorista, desdramatizando o que Costa tentou dramatizar.

Costa teve a lata de criticar Rui Rio por estar de férias durante este faits divers, esquecendo que ele esteve de férias enquanto morriam portugueses em incêndios. Burrice política a mais.

Cristas, a esperta, foi o maior bobo desta festa com a tentativa de alterar a lei da greve. Boa tentativa, mas nem o PSD a apoiou.

André Matias de Almeida revelou-se um advogado rancoroso e inábil. Da panelinha entre Governo e ANTRANS apenas se conclui que até agora teve de ceder em relação a dois sindicatos, para já, e a um terceiro em vias.

Como umas férias assim, como será a rentrée política?

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 18:51

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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015

Porcaria de governação

Mais uma vez a comunicação social recorda novas leis e, com a habitual infantilidade de quem não faz ideia daquilo sobre que fala, mas ciente de que é conveniente dar algum sensacionalismo à notícia, para vender mais.

Hoje leio, por exemplo, no Económico que "As gasolineiras têm três meses para venderem combustíveis simples". O título está errado porque o jornalista queria escrever que têm três meses para ter à venda combustíveis simples e não que têm três meses para vender todo os combustíveis simples em armazém. Damos de barato este erro.

Ontem, toda a comunicação social falava da entrada em vigor da proibição da entrada em Lisboa de carros anteriores ao ano 2000, com não sei quantas excepções.

A primeira notícia significa que os postos de abastecimento de combustível para automóveis passam a ser obrigados a vender combustíveis sem aditivos porque são mais baratos e isto favorece os consumidores. Atenção: podemos escrever e dizer combustíveis de baixo custo ou combustíveis mais baratos e não precisamos de usar a expressão inglesa low cost. A língua portuguesa não é assim tão pobre que não nos dê meios suficientes para dizer uma coisa tão simples. Ora, a diferença entre estas duas qualidades de combustíveis reside no facto de os mais caros estarem adicionados com produtos químicos que reduzem a emissão de gases poluentes, além de obterem maior rendimento do motor. Ao usar os combustíveis de baixo custo, estamos de facto a poluir mais o ambiente. 

A segunda notícia, a de ontem, referia que os carros que poluem mais, supostamente, por serem anteriores ao ano 2000 não podem entrar no centro de Lisboa.

Afinal, uma lei para poluir mais e outra para poluir menos? Que porcaria de governação.

 

Orlando de Carvalho 

publicado por nivelar-por-cima às 12:23

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