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As pessoas são melhores se descobrirmos o que nelas há de melhor. A sociedade torne-se melhor se as pessoas forem niveladas por cima.

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As pessoas são melhores se descobrirmos o que nelas há de melhor. A sociedade torne-se melhor se as pessoas forem niveladas por cima.

Provérbios pouco usados

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Vi num escritório, há muitos anos, dois provérbios afixados na zona da sala onde funcionavam a contabilidade e a tesouraria. Eram duas placas com nada em comum, além de qualquer delas ter inscrito um provérbio e estavam ambas em espanhol.

Há muitas coisas na vida que são absolutas, ou se é ou não se é, aquilo ou está bem ou está mal. Outras porém são relativas, em maior ou menor grau.

Uma destas coisas relativas é o dinheiro. Entidade energúmena pela qual tantos são capazes de vender a mãe e o pai e a alma e a possibilidade de alguma vez poderem ser felizes. Todavia, é pertinente questionar: é possível viver na Europa, no século XXI, sem dinheiro? O abrigo para habitar, a comida, a água, a energia, o cuidado dos filhos, são exemplos de actividades absolutamente necessárias e que não se obtêm sem dinheiro. A questão essencial é o modo como se obtém o dinheiro e o modo como ele é gasto.

Venha então o primeiro provérbio, já em português:

 

A nota não dá felicidade mas acalma os nervos e ajuda a pagar os compromissos.

 

O segundo provérbio aborda também uma questão moral. Como devo reagir ao mal que me fazem? Dar a outra cara, como sugere o Evangelho, e que um amigo meu, católico, afirmava, há dias, ser uma estupidez, seguir à risca? Ignorar? Pagar com o bem? Retorquir na mesma moeda? Vingar-me? Queixar-me à autoridade estabelecida? Criar e manter um estatuto de O Mais Forte, ou pelo contrário, assumir ou permitir ser o Bombo da Festa? O segundo provérbio sintetizava uma posição algo conciliadora destas e pode ser de difícil execução.

 

Se me enganas uma vez, que vergonha para ti!

Se me enganas duas, que vergonha para mim!

 

Entre provérbios caminhemos na estrada da vida, pois eles podem ser-nos úteis se bem doseados e bem digeridos. E não devemos esquecer cuspir a casca e o caroço, para ingerir apenas a parte suculenta do provérbio.

 

Orlando de Carvalho