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nivelar-por-cima

As pessoas são melhores se descobrirmos o que nelas há de melhor. A sociedade torne-se melhor se as pessoas forem niveladas por cima.

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As pessoas são melhores se descobrirmos o que nelas há de melhor. A sociedade torne-se melhor se as pessoas forem niveladas por cima.

Morrer como Camões?

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A triste situação a que governantes incompetentes (e corruptos?) (ou traidores à cultura portuguesa, à nação?) conduziram este país.

Um grupo de analfabetos lembrou-se de inventar uma língua nova, a que chamaram AO90. Como além de analfabetos têm um forte espírito ditatorial e anti-democrático, tentam impor pela força essa língua anacrónica, que por sua vontade seria extensiva a todo o Império Português. Pouco inteligentes e pouco actualizados, esqueceram-se que já não existe Império Português e que as Colónias ou Portugal Ultramarino, conforme as sensibilidades, já são nações independentes. E não permitem que esses iluminados pela estupidez lhes ponham a pata em cima. Nem a pata, nem o AO90.

 

Distribuo umas folhas às crianças com um texto que redigi. Uma delas interpela-me:

- Catequista, está aqui um erro. No meio da palavra BATISMO está aqui uma letra a mais, um 'p' ou um 'q', não percebo.

E que pode a vítima adulta (eu) responder? Que o professor na escola ensina mal? Explicar a uma criança o processo AO?

Ou chorar?

 

Meditar as palavras de Camões, citadas em 1860:

Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela.

 

É esta a opção que resta aos portugueses? Eles já destruíram a nossa Pátria. Esta criança deu disso testemunho.

 

O soneto não é um convite ao conformismo, mas um grito de mágoa pela mudança que não é verdadeira e que encaminha para um mal maior.

 

MUDAM-SE OS TEMPOS (Luís de Camões)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.