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As pessoas são melhores se descobrirmos o que nelas há de melhor. A sociedade torne-se melhor se as pessoas forem niveladas por cima.

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As pessoas são melhores se descobrirmos o que nelas há de melhor. A sociedade torne-se melhor se as pessoas forem niveladas por cima.

Em cadeira de rodas, mas vivo

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 Em ti, filho que não gerei, mas amei, penso enquanto recordo e escrevo estas palavras.

Eras tão novo e distinguias-te já pelo zelo pastoral e evangélico, como dirigente em movimentos de jovens, como filho, quando aquilo aconteceu: não sabemos que bichinho te atacou, mas paralisou-te até ao final da vida.

Parecia motivo de compaixão, de pena, de desgraça. Terá sido tudo isso e mais, mas quero agora exaltar algo que pertence ao “mais”.

Foste sempre a alegria, o rosto alegre de Deus, mais que persistência, resignação, luta ou paciência, tu parecias enfrentar a vida como ela era. Em cada hora, em cada momento.

Penso na alegria que te proporcionaram o médico e enfermeiros que te levaram de ambulância e maca à praia, junto à marginal, na Costa de Lisboa.

Penso no baptizado em que foste padrinho, no padre que o queria evitar – Ciúme? Inveja? – e naquele outro que veio de tão longe para o contradizer eficazmente.

Penso naqueles que quiseram impedir o teu casamento e naqueles que o viabilizaram.

Penso na tua atenção e na tua gentileza, mesmo num estado que parecia deplorável.

Estavas paralisado mas não da cabeça nem do coração. Tu transmitias vida.

Penso nas contrariedades da burocracia e da falta de humildade, caridade, humanidade de tantas pessoas, dos médicos que exigiam que te apresentasses lá em cima para a Junta, sem que a cadeira de rodas coubesse dentro do elevador e nos outros que exigiam que assinasses um documento tendo o braço paralisado.

A alegria sempre que podias ir mais além da tua condição, passeando, olhando o céu, o mar, o verde da Natureza.

 

A reportagem do jornal O Varzeense lembrou-me tudo isto e a necessidade que existe em o proclamar ao mundo. Muitas pessoas ignoram que a felicidade e a alegria continuam acessíveis aos doentes profundos e que estes as podem viver e comunicar aos outros. Muitas pessoas carregam estes doentes com mágoa e tristeza e impedem-nos de viver e comunicar a alegria porque não compreendem que a alegria e a felicidade são muito mais que “ter”, são completamente “ser”.

 

Que este simples gesto reportado em O Varzeense possa ser seguido e reproduzido em muitos lugares e de muitas maneiras.

 

Orlando de Carvalho

 

 

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Descida da Serra em Cadeira de Rodas

 

A ARCIL, em colaboração da Câmara Municipal da Lousã, promoveu no dia 26 de maio, a 12ª edição da Descida da Serra da Lousã em Cadeira de Rodas, que contou com a participação de cerca de 70 pessoas utilizadoras de cadeira de rodas.

Esta iniciativa, que consiste num passeio pela estrada nacional nº 236, teve início na aldeia de xisto do Candal terminando na vila da Lousã e contou com uma paragem a meio do percurso para um almoço ao ar livre, apreciando a beleza natural e desfrutando do que envolve a própria Serra, num cenário único e num ambiente fantástico.

Clara Nunes, residente em Vila Nova do Ceira, foi uma das participantes e disse ao nosso jornal que “foi maravilhoso, emocionante. Uma equipa fantástica e um convívio saudável”, acrescentando ainda: “foi a oitava vez que participei e se fosse amanhã repetia novamente”.

A organização desta atividade pretendeu proporcionar a pessoas utilizadoras de cadeira de rodas a possibilidade de efetuarem um passeio pela Serra da Lousã, podendo assim apreciar a riqueza dos espaços naturais e contactando com a diversidade das suas paisagens.

 

In Jornal O VARZEENSE n.º 698 - 15/06/2017

 

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