Domingo, 12 de Julho de 2015

Utopia Portugal

Utopia Ebenezer Howard.jpg

Jardim da Cidade, Utopia, visto por Ebenezer Howard 

 

Passos Coelho, chefe da coligação entre os dois partidos de direita, venceu as eleições. Todos votaram nele porque queriam acabar com o malfadado consulado de Sócrates. O povo estava farto. A governação não parecia mais que um atado de coisas malvadas. Centros de saúde extintos, maternidades encerradas, as grávidas convidadas a irem parir a Espanha os filhos de Portugal. Os abonos de família… cortados, roubados, não interessa o adjectivo que vai na cabeça de cada um, se eles deixaram de chegar aos casais com filhos, num descarado convite a não-natalidade e à infertilidade das famílias. As escolas a fecharem. Os impostos a subirem. Os cortes nas pensões e nos ordenados.

Passos Coelho ao assumir a presidência do governo esclareceu logo que as promessas eleitorais eram para cumprir porque ele e os ministros que entretanto escolheu eram pessoas de bem, cumpridoras da sua palavra, pessoas honradas que preferiam demitir-se a verem a palavra desonrada. Parecia o Egas Moniz a falar, na corte de Leão. Fez e cumpriu. Chegaram ao país mandatários do FMI, da União Europeia, do BCE e tentaram impor regras ainda mais duras para os portugueses que as de Sócrates, mas Passos Coelho ameaçou:

- Assim, não! Dei a minha palavra, sou homem de palavra, e vou cumpri-la. Se não tiver condições para fazer como prometi e por isso recebi os votos, demito-me e há eleições. Entretanto, Portugal pode falir e com o país, o Euro e o Tratado Europeu, por isso, é melhor procurarmos em conjunto alternativas para a delicada situação em que os ministros anteriores e banqueiros deixaram o país, situação de que países como a Alemanha, mas não só, estão a beneficiar. Mais, se insistirem, convoco um referendo popular.

Coelho caiu no desagrado dos dirigentes políticos e financeiros da Europa e do mundo, mas mostrou-se honrado e fiel à palavra dada e aos compromissos assumidos. Houve ainda algumas tentativas para o conotarem com os comunistas e a extrema esquerda, mas como?

Coelho comunista? Dava vontade de rir. Os credores de Portugal tiveram que ajudar o país a sair daquele buraco em que eles mesmos o haviam metido, influenciando ministros anteriores, mas a que os de Pedro Passos Coelho não foram sensíveis. Assim, algumas instituições de grande capacidade financeira, mesmo bancos, que viriam a simular falências, foram fácil e rapidamente controladas e os prevaricadores sujeitos à justiça. Portugal tornou-se um exemplo de como as nações são mais poderosas que os interesses de capital.

O exemplo português serviu para salvar alguns países que estavam na mesma senda. Incrivelmente, apareceram empresas chinesas, isto é, o Estado Chinês, que é comunista e dono de toda a economia chinesa, a tentar comprar as eléctricas de Itália, Grécia, até Portugal, mas na defesa de Portugal e dos povos europeus, Passos Coelho opôs-se e fez valer o seu ponto de vista:

- Porque raio é o Governo Chinês capaz de gerir as nossas eléctricas e os nossos governos não o são?

Também a correram a comprar empresas distribuidoras de água canalizada, dos correios, das – imagine-se! – transportadoras aéreas, mas Passos foi sempre argumentando, para agrado dos portugueses e europeus em geral:

- Quereis obrigar-nos a voltar ao tempo de D. João I, quando o filho se queixou que o pai lhe deixara apenas as estradas de Portugal? (Não confundir com as Estradas de Portugal, que essas não fazem parte da Utopia Portugal).

Pois… meus amigos. Isto é uma Utopia.

Sócrates foi Sócrates e Passos foi Passos. Com as novas leis, até podem casar um com o outro. E alguém lhes ligava?

 

Orlando de Carvalho, Julho 2015

publicado por nivelar-por-cima às 10:15

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