Quarta-feira, 26 de Julho de 2017

Avós caducos

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 A partir da década de 1960 acentuou-se uma tendência de compartimentação das gerações dentro da família que já vinha de há muito tempo. A instabilidade social da época da Revolução Industrial, as migrações provocadas pela fome generalizada na Europa, os movimentos marxistas e os existencialistas relegaram os avós para um degrau fora do alcance da restante família e o mesmo aconteceu também aos mais novos, os netos desses avós e filhos da população activa, nome descoberto para caracterizar a geração do meio, a verdadeira responsável por toda esta desagregação.

Eclode a expansão dos lares para a terceira idade, que não são em muitos casos um auxílio para a família, mas um modo de responder ao tamanho das casas, que diminuiu, ao facto de todas as outras pessoas da casa terem imensas actividades. Para avaliação do verdadeiro sentido destes lares temos de ter presente a quantidade de casos de idosos que são depositados sob os mais diversos pretextos em hospitais em alturas que costumavam ser de festa familiar, o Natal, a Páscoa, e também as férias de Verão.

O importante papel que estas instituições desempenham em tantos casos não pode impedir-nos de encarar o lado talvez mais esquecido ou oculto que é a de serem usados como antecâmara da morte. O empenho de tantas pessoas novas e saudáveis nos movimentos pela eutanásia não devem deixar dúvidas.

Entretanto surgem estudos de universidades que concluem muito doutamente que as crianças educadas pelos avós ou que ficam à guarda dos avós são prejudicadas em relação às que frequentam creches e jardins de infância. Estudos desses que as multinacionais compram e que as universidades e os académicos fornecem para ganharem algum dinheiro; estudos que são meras dissertações com carácter de marketing.

 

Entretanto, os mais velhos parecem ter ganho vida nova em consequência dos avanços da medicina, mas também em consequência de uma maneira diferente de encarar a vida, também beneficiados por novos esquemas de reformas sociais e aposentações.

Para muitos idosos, os lares deram lugar a universidades da terceira idade e mais tarde a terceira idade começou a acabar sendo substituída pela idade sénior. Já ninguém quer ser velho, idoso ou da terceira idade, passaram todos a seniores.

Sou professor neste recente tipo de universidades e apercebo-me de uma recuperação do papel dos avós nas famílias. Os meus alunos escolhem os horários, no início do ano lectivo, em cada ano, em função dos horários dos netos que têm de ir buscar ou levar às escolas que eles frequentam. A assiduidade destes meus alunos mais velhos está essencialmente dependente das suas consultas e exames médicos, de facto, e da assistência que dão aos netos. Felizmente, muitos destes meus alunos, estão também dependentes de outros tipos de apoio que dão à família. Enternece-me o amor que transparece em tantos deles: homens de oitenta anos que cuidam das esposas doentes e organizam as suas vidas, e a participação nas actividades da universidade, em função da assistência que dão às esposas; mulheres que têm em casa maridos vitimados por AVCs e outras doenças incapacitantes e conseguem manter-se jovialmente vivas na participação e no convívio académico, em afazeres domésticos e no acompanhamento aos seus companheiros. Uns e umas sem considerarem peso o cônjuge, mas como óbvia a assistência que prestam. Também os que apoiam os netos não se queixam, mas encaram as suas situações como naturais.

Parecendo há umas décadas atrás que os velhos não prestavam para nada, aqueles que conheço não têm tempo para discutir eutanásias. São pessoas ocupadas. Não são avós caducos, mas pessoas válidas que prestam os mais diversos tipos de serviço social e familiar.

 

Orlando de Carvalho

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Segunda-feira, 24 de Julho de 2017

Pais da geringonça luso-venezuelana

sócrates augusto ss pedro sp chavez maduro.jpg

 

Sócrates era o grande aliado de Hugo Chavez na Europa. E que negócios!
Augusto Santos Silva era um braço direito de Sócrates no governo que fazia negócios com Hugo Chavez.
Augusto Santos Silva não se cansa de pedir moderação nas atitudes que se desenvolvem para apoiar o povo da Venezuela contra a ditadura assassina do sucessor de Chavez, Nicolás Maduro. O povo que aguente enquanto o ditador assassino manda os seus soldados matar os filhos da Venezuela.
Alguma vez o fascista Salazar matou tantas pessoas nas ruas como o ditador comunista da Venezuela.
Um desafio para crianças: quem são os maus e quem são os bons nesta jogatana? Quem ganha e o que ganha?
 
Orlando de Carvalho
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2017

República de Vigaristas (com V maiúsculo)

A República busto de mulher.jpg

Carlos César (PS) tem toda a sua família empregada em cargos públicos, incluindo posições de nomeação. Ricardo Rodrigues (PS), célebre por ter sido condenado em tribunal pelo roubo de gravadores a jornalistas durante uma entrevista, foi escolhido pelo PS e há semanas eleito pelo parlamento para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais. António Gameiro (PS), conhecido por ter sido condenado em tribunal pela apropriação indevida de 45 mil euros de uma cliente (e com pena agravada pelo Tribunal da Relação), foi (novamente) eleito para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal. E, menos recente mas interessante de comparar com o que sucedeu na Suécia, Glória Araújo (PS), à época deputada (2013), foi apanhada pela polícia a conduzir sob efeito de álcool (2,41 g/l) – e recusou renunciar.

Todos os exemplos recentes são do PS? Sim, como seriam do PSD se estivesse no governo – o poder permite aos partidos agir à sua conta e vontade.

 

Para ler o artigo completo de Alexandre Homem Cristo, em Observador, em 29 de Maio de 2017, clique aqui.

 

O artigo completo também aqui.

 

Dar-se ao respeito

 

É arrasadora a indiferença dos partidos aos critérios éticos. Mas alguém se importa? O facto de as recentes eleições de Ricardo Rodrigues e António Gameiro mal terem sido notícia é esclarecedor.

A qualidade de uma democracia republicana mede-se, entre outras vias, pelo comportamento dos seus representantes, tanto governantes como parlamentares. Isto porque os nossos regimes liberais não são apenas compostos de regras, leis, instituições, freios e contrapesos. O cumprimento da lei não chega – de nada servem as regras e as instituições se umas não forem cumpridas e outras não forem respeitadas, mesmo quando assim a lei o permite. Os regimes liberais distinguem-se, para além da forma de governo, pela sua dimensão moral. Estão suportados em pilares éticos e são mantidos por quem acredita nos valores da liberdade, igualdade, justiça, dignidade humana, diversidade, tolerância. E, como tal, a credibilidade de um sistema político perante os cidadãos assenta, também, no reconhecimento do respeito por esses valores por parte dos seus representantes – e não, somente, do cumprimento da lei e das regras, pois algo ser legal não significa que seja ético.

É por isso que, em várias democracias maduras, os políticos abandonam as suas funções quando se vêem envolvidos em casos que põem em causa a sua idoneidade enquanto servidores públicos. Só no último ano, exemplos não faltam. Bruno Le Roux, ex-ministro do Interior em França, demitiu-se devido à contratação das suas filhas para assistentes parlamentares. Aida Hadzialic, ex-ministra da Educação na Suécia, demitiu-se por ter sido apanhada a conduzir sob efeito de álcool (0,2 g/l). Keith Vaz, ex-deputado inglês do Partido Trabalhista, demitiu-se por se ver envolvido num caso de prostituição masculina. Ard van der Steur, ex-ministro da Justiça da Holanda, renunciou ao cargo face à acusação de que, em 2001, teria ocultado informações ao parlamento sobre um caso de corrupção de justiça. José Manuel Soria, ex-ministro espanhol da Indústria, demitiu-se após ter sido conhecida a sua relação com empresas em paraísos fiscais. Sigmundur Gunnlaugsson, ex-primeiro-ministro da Islândia, renunciou ao cargo quando se viu envolvido no escândalo dos Panama Papers. E por aí fora.

Em Portugal, resiste uma certa dificuldade em compreender esta lição elementar: o regime tem de manter uma dignidade moral e quem ocupa cargos públicos tem de estar acima de qualquer suspeita. Aliás, um dos debates deste tempo ilustra bem o problema: não se precisa dos tribunais para afirmar que Sócrates, enquanto agente político, é culpado – basta saber que, enquanto primeiro-ministro, viveu às custas de transferências ocultas de um amigo com quem o Estado mantinha negócios. Mas se Sócrates é um óbvio caso de polícia, a cena política portuguesa está repleta de situações cuja inconsequência envergonha.

Carlos César (PS) tem toda a sua família empregada em cargos públicos, incluindo posições de nomeação. Ricardo Rodrigues (PS), célebre por ter sido condenado em tribunal pelo roubo de gravadores a jornalistas durante uma entrevista, foi escolhido pelo PS e há semanas eleito pelo parlamento para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais. António Gameiro (PS), conhecido por ter sido condenado em tribunal pela apropriação indevida de 45 mil euros de uma cliente (e com pena agravada pelo Tribunal da Relação), foi (novamente) eleito para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal. E, menos recente mas interessante de comparar com o que sucedeu na Suécia, Glória Araújo (PS), à época deputada (2013), foi apanhada pela polícia a conduzir sob efeito de álcool (2,41 g/l) – e recusou renunciar.

Todos os exemplos recentes são do PS? Sim, como seriam do PSD se estivesse no governo – o poder permite aos partidos agir à sua conta e vontade. Eis a arrasadora indiferença dos partidos aos critérios éticos, sobretudo quando integram a maioria parlamentar. Ora, é fácil (e justo) apontar o dedo aos partidos. Mas tudo isto apenas acontece porque se entrega aos políticos a decisão em benefício próprio, sem ter contrapeso na sociedade civil – isto é quem proteja o sistema político, denuncie e pressione os partidos a alterar comportamentos que, sendo legais, não são éticos. Só que, no fim de contas, ninguém se importa realmente. O facto de as recentes eleições em plenário da Assembleia da República (Ricardo Rodrigues e António Gameiro) mal terem sido notícia é prova suficiente. Depois não há surpresas: quem não se dá ao respeito não é respeitado.

 

 

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Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

Em cadeira de rodas, mas vivo

Descida Cadeira de Rodas Foto 2.jpg

 Em ti, filho que não gerei, mas amei, penso enquanto recordo e escrevo estas palavras.

Eras tão novo e distinguias-te já pelo zelo pastoral e evangélico, como dirigente em movimentos de jovens, como filho, quando aquilo aconteceu: não sabemos que bichinho te atacou, mas paralisou-te até ao final da vida.

Parecia motivo de compaixão, de pena, de desgraça. Terá sido tudo isso e mais, mas quero agora exaltar algo que pertence ao “mais”.

Foste sempre a alegria, o rosto alegre de Deus, mais que persistência, resignação, luta ou paciência, tu parecias enfrentar a vida como ela era. Em cada hora, em cada momento.

Penso na alegria que te proporcionaram o médico e enfermeiros que te levaram de ambulância e maca à praia, junto à marginal, na Costa de Lisboa.

Penso no baptizado em que foste padrinho, no padre que o queria evitar – Ciúme? Inveja? – e naquele outro que veio de tão longe para o contradizer eficazmente.

Penso naqueles que quiseram impedir o teu casamento e naqueles que o viabilizaram.

Penso na tua atenção e na tua gentileza, mesmo num estado que parecia deplorável.

Estavas paralisado mas não da cabeça nem do coração. Tu transmitias vida.

Penso nas contrariedades da burocracia e da falta de humildade, caridade, humanidade de tantas pessoas, dos médicos que exigiam que te apresentasses lá em cima para a Junta, sem que a cadeira de rodas coubesse dentro do elevador e nos outros que exigiam que assinasses um documento tendo o braço paralisado.

A alegria sempre que podias ir mais além da tua condição, passeando, olhando o céu, o mar, o verde da Natureza.

 

A reportagem do jornal O Varzeense lembrou-me tudo isto e a necessidade que existe em o proclamar ao mundo. Muitas pessoas ignoram que a felicidade e a alegria continuam acessíveis aos doentes profundos e que estes as podem viver e comunicar aos outros. Muitas pessoas carregam estes doentes com mágoa e tristeza e impedem-nos de viver e comunicar a alegria porque não compreendem que a alegria e a felicidade são muito mais que “ter”, são completamente “ser”.

 

Que este simples gesto reportado em O Varzeense possa ser seguido e reproduzido em muitos lugares e de muitas maneiras.

 

Orlando de Carvalho

 

 

Descida Cadeira de Rodas Foto 1.jpg

 

 

Descida da Serra em Cadeira de Rodas

 

A ARCIL, em colaboração da Câmara Municipal da Lousã, promoveu no dia 26 de maio, a 12ª edição da Descida da Serra da Lousã em Cadeira de Rodas, que contou com a participação de cerca de 70 pessoas utilizadoras de cadeira de rodas.

Esta iniciativa, que consiste num passeio pela estrada nacional nº 236, teve início na aldeia de xisto do Candal terminando na vila da Lousã e contou com uma paragem a meio do percurso para um almoço ao ar livre, apreciando a beleza natural e desfrutando do que envolve a própria Serra, num cenário único e num ambiente fantástico.

Clara Nunes, residente em Vila Nova do Ceira, foi uma das participantes e disse ao nosso jornal que “foi maravilhoso, emocionante. Uma equipa fantástica e um convívio saudável”, acrescentando ainda: “foi a oitava vez que participei e se fosse amanhã repetia novamente”.

A organização desta atividade pretendeu proporcionar a pessoas utilizadoras de cadeira de rodas a possibilidade de efetuarem um passeio pela Serra da Lousã, podendo assim apreciar a riqueza dos espaços naturais e contactando com a diversidade das suas paisagens.

 

In Jornal O VARZEENSE n.º 698 - 15/06/2017

 

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Contra os pais. Contra a educação.

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A lesgislação produzida recentemente nos países ditos de cultura ocidental, que não cristã nem judaico-cristã, nem inspirada no Direito Romano, tem lançado constrangedoras sementes de destruição da família.

A notícia reproduzida é um oásis neste deserto de bom senso, porque, no final, os juizes mostram-se bem mais sensatos que os legisladores e o Ministério Público espanhol.

Orlando de Carvalho

 

Leia aqui a notícia na Fonte ou abaixo:

 

Criança espanhola processa mãe por ter levado um estalo

Ministério Público pedia que a mulher fosse condenada a 35 dias de trabalho comunitário e que lhe fosse negado o direito de comunicar com o filho durante seis meses.

Uma criança de 11 anos processou a mãe por esta lhe ter dado um estalo. O caso aconteceu em Espanha.

De acordo com o jornal “El Mundo”, a mulher respondeu em tribunal por ter dado um estalo ao filho quando este lhe atirou o telemóvel depois de se ter recusado a preparar o pequeno-almoço.

A criança justificou esta atitude dizendo que “estava a ouvir música no seu novo telemóvel topo de gama” e que não queria ser incomodado.

Este não terá sido, no entanto, o único incidente objecto de análise no processo. A criança alegou ter sofrido abusos anteriores por parte da mãe, indicando que chegou a necessitar de tratamento médico em algumas situações. O Ministério Público pedia, assim, que a mãe fosse condenada a 35 dias de trabalho comunitário e que lhe fosse negado o direito de comunicar com o filho durante seis meses.

O menor perdeu o caso. O tribunal da Corunha entendeu que o acto foi “justificado”.

O juiz considerou que “os actos foram pontuais e devido a provocação por parte do menor”. O magistrado entendeu que a atitude da criança deve ser seguida por especialistas pois necessita de “correcção imediata”, uma vez que aparenta sinais de “síndrome de imperador”, isto é, resiste às ordens dos pais ou de terceiros, podendo adoptar comportamentos violentos.

 

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Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

Eutanasiar a minha mãe

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Depois de ler mais um comentário de uma senhora acerca do seu direito a mandar no seu corpo, mesmo que para isso tivesse de matar o seu filho, se esta a incomodava, pensei na seguinte história. Infelizmente tão verdadeira. Não comigo, claro, que a minha santa mãezinha até já está junto de Deus. Sem comentar nem criticar pessoa alguma em particular, mas para ajudar todos a reflectirem, eis a história.

 

Tenho a minha mãe em casa, inválida, incapaz, não serve para nada, só para atrapalhar. Baba-se a comer, urina e defeca onde não devia. A mulher está a privar-me da minha vida. Eu tenho direito a usufruir do meu corpo na sua globalidade: anatómica, fisiológica, mental, espiritual.

Só me resta uma saída: Vou até à Bélgica e mando eutanasiar a minha mãe. Ninguém tem nada a ver com a maneira como cuido de mim, do meu bem-estar: é um assunto do foro privado. Íntimo. Sim, de mim, eutanasiar a minha mãe é para me livrar do que me está a incomodar.

 

Pensando bem, que sortudo eu sou! Se a minha mãe, há mais de 60 anos pensasse como eu e tivesse tido a mesma ideia em relação a mim...

 

Orlando de Carvalho

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Segunda-feira, 17 de Julho de 2017

Miguel, meu querido neto

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Miguel, meu querido neto,

Esta carta é para ti especialmente.

Quero bastante que entendas, desde muito cedo, que a vida, a vida de todos e a tua vida, a vida está repleta de agruras e doçuras, mas será sempre mais nivelada, sem canseiras nem tropeços se nós não a complicarmos nem nos deixarmos enredar nas complicações que outros criam para nós e por nós.

 

Apenas a Palavra de Deus nos pode ajudar a entender o significado verdadeiro dos gestos e atitudes com que nos deparamos no quotidiano, feitos por nós ou pelos outros.

Muito do que dizemos e fazemos parece ser por intuição, sem que o consigamos explicar e quando tentamos, a explicação ainda nos atrapalha mais. Da mesma maneira, quando julgamos os outros – e passamos a vida a julgar, às vezes a elogiar, mas normalmente a condenar – a maior parte das vezes erramos, porque em vez de usarmos como termo de comparação a Palavra de Deus, sempre tolerante e misericordiosa, usamo-nos a nós mesmos, exigindo aos outros que sejam como nós idealizamos que deviam ser. Mas nós somos pouco mais que barro, terra, húmus, enfim, lama, estrume. Por essa razão, quando os cemitérios deixaram de ser ao lado das igrejas, e lá se instalaram hortas, elas eram tão férteis. Os nossos antepassados eram o grande segredo, os seus corpos eram o melhor fertilizante.

A Palavra de Deus chega-nos através da Sagrada Escritura, mas também nos chega por diversos outros meios. Um deles é, sem dúvida, a aceitação da realidade da Natureza e do bom senso. Sem aprofundar a questão do bom senso, toma nota que o bom senso não é aquilo que me parece ou que por qualquer razão em qualquer momento vai na minha cabeça. Vou agora falar-te de antepassados teus.

 

Antes de morrer, mas vislumbrando o fim que se aproximava inexorável, Aurora fez um pedido grave ao marido exigindo-lhe que prometesse não voltar a casar. Parecia, naquele tempo, uma história de grande amor, quais Romeu e Julieta.

A realidade foi bastante diferente de um manto de ternura, foi mesmo bastante dolorosa. João, o esposo viúvo, ficou com uma criança bebé a seu cargo. Um dia tomou-se de amores por Laura mas manteve-se fiel ao juramento que fizera a Aurora na hora da morte. Laura dormia umas noites em sua casa, outras em casa de João, vivia na obscuridade perante os vizinhos que a viam entrar e sair. Nunca conseguiu aceitar Maria, o fruto do amor entre Aurora e João e sempre lhe fez a vida negra, contribuindo e criando um mau ambiente entre pai e filha. João nem sequer foi ao casamento da filha. E manteve a relação amorosa até à hora da morte como se de uma vergonha que precisasse esconder se tratasse.

Maria aprendera bem a lição de que não é lícito deixar em testamento desejos íntimos que obriguem os que ficam a viver situações dolorosas e fúteis. Ela deixou bem explícito que, caso morresse antes do seu marido e seu grande amor, Amadeu, era sua opinião e desejo que ele voltasse a casar e tivesse um lar estável. Assim aconteceu. Amadeu tomou Margarida como sua segunda esposa. Não foi fácil aos filhos Ana e Luís aceitarem esta decisão do pai, mas além de preceder do desejo expresso pela mãe, era também a vontade do pai. E a família teve um tempo de alguma tranquilidade que sucedeu ao luto.

Mais tarde, muitos anos depois, venenos de escorpiões e de serpentes lançaram conflito dentro da família. Familiares próximos de Amadeu induziram Ana contra o pai alegando que ao tomar Margarida como esposa estava a trair a memória de Maria. Ana deixou de falar ao pai e ao irmão Luís. A guerra realizada olhos nos olhos e através de mensagens de correio electrónico, pois alguns projécteis bélicos vieram do outro lado do mundo lançar ódios dentro das famílias parou quando Luís recordou a herança da mãe, o desejo, formulado décadas antes de adoecer, e morrer, que o marido deveria casar, se enviuvasse, para estabilidade familiar. Mas Ana, mercê dos tais venenos de escorpiões e serpentes, não mais falou com o pai nem com o irmão.

Luís também gerou filhos. Entre estes, Aurora, assim chamada como a bisavó, que enviuvou logo após casar. Miguel, tu amavas muito o teu tio que partiu tão cedo para junto de Deus e não entendes bem que ele possa ser substituído.

Ouve bem, Miguel, meu neto. O teu tio, lá em cima, no Céu, tem a possibilidade de olhar para nós. Ele olhou para a tua tia viúva e ficou angustiado. Depois de tanto amor que partilharam, ele vê agora aquela que foi a sua esposa cheia de amor para dar, mas só, uma pessoa sempre a ajudar todos, mas sem alguém a seu lado para a proteger, cuidar e amar. O teu tio, como todos no Céu, deseja mais que tudo paz e amor. Ele quer que a tua tia case de novo com a pessoa a quem ela possa amar agora e que a possa fazer feliz.

Nunca fui ao Céu, mas Jesus explicou muito bem como estas coisas se processam. Abre o teu coração e a tua mente, querido neto Miguel, e escuta as palavras do Evangelho e como Jesus, Nosso Senhor, explica com simplicidade estas coisas tão difíceis para as pessoas complicadas.

 

Certo dia, os saduceus, que afirmam que não existe ressurreição, aproximaram-se de Jesus e propuseram-Lhe este caso:

- Mestre, Moisés disse: "Se alguém morrer sem ter filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu". Pois bem, havia entre nós sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem ter filhos, deixando a mulher para o seu irmão. Do mesmo modo, aconteceu com o segundo e o terceiro e assim com os sete. Depois de todos eles, morreu também a mulher. Na ressurreição, de qual dos sete ela será mulher? De facto, todos a tiveram».

Jesus respondeu:

- Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus. De facto, na ressurreição, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do Céu. E, quanto à ressurreição, será que não lestes o que Deus vos disse: "Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob"? Ora, Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos».

Ouvindo isto, as multidões ficaram impressionadas com o ensinamento de Jesus. (Mateus 22,23-33)

 

Como entendes agora, meu neto, no Céu não seremos mais avô e neto, seremos apenas como anjos, irmãos, filhos do mesmo pai, que é Deus. Do mesmo modo eu, o meu pai, a minha mãe e a segunda esposa do meu pai, depois de ele enviuvar, viveremos todos em torno de Deus, como anjos, louvando e dando graças a Deus nosso Pai comum por tudo o que Ele criou, por nós mesmos e pelo amor que Deus reparte continuamente connosco. Deus dá-nos gratuitamente o seu amor para que nós o demos também gratuitamente uns aos outros sem rancores, nem ódios, nem invejas, mas como Deus o dá, com misericórdia, humildade e beleza.

Louva a Deus, todos os dias da tua vida, meu neto Miguel, ama a todos com o mesmo amor que recebes de Deus, e viverás eternamente na companhia de Deus e de todos nós a quem tu amas, se também procedermos como te peço que procedas.

Ámen.

Teu avô Orlando

publicado por nivelar-por-cima às 19:34

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Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

Pague para ser espiado dentro de casa e seja feliz

emonPi_MyElectric_Daffs Conatdor intelig electric.

Mais um método de espionagem dos cidadãos está a ser implementado. Como a maior parte dos outros que existem e que estão a ser criados, é apresentado como uma inovação com vantagens para todos. Mas estes todos estão restritos aos Senhores deste Mundo.

Trata-se de sermos espiados através da corrente eléctrica de que precisamos para as lâmpadas, para o frigorífico, a televisão, etc.

Estão já instalados alguns dos novos contadores de energia e até 2022 devem existir nas casas de todos os portugueses uns tentáculos deste novo grande polvo.

Já vendem televisões que executam imensas operações, fazem muitas coisas automaticamente, é um gosto para o seu dono que se sente a dar ordens a um robot ao seu serviço, como se fosse um escravo. Mas o escravo é o que pagou pela televisão e não é seu dono.

Os Senhores deste Mundo vendem estas televisões mais caras e para fazerem todas aquelas mariquices automáticas, elas transmitem informações de casa de quem a comprou para o seu verdadeiro dono, aquele que a fabricou, vendeu e continua a controlar.

Os novos contadores não precisam que pessoa leia o valor da energia consumida. Ele próprio transmite ao seu verdadeiro dono esses valores. Já sabíamos que a corrente eléctrica servia como meio pata as transmissões telefónicas. O dono do contador vai saber não apenas a energia que o cliente consome, mas como a consome, a que horas consome, que quantidade consome a cada momento. Vai saber a que horas o cliente se levantou a meio da noite e acendeu a luz para ir à casa de banho e quanto tempo demorou, vai mesmo saber se ligou mais aparelhos, se, por exemplo, estava com insónias e ligou a televisão. Se os contadores também transmitirão sons captados em casa do cliente é coisa que só se saberá que algum Edward Snowden der à língua daqui a uns anos.

Mas a multidão de escravos em que a Humanidade lenta e progressivamente se vai transformando aplaude e rejubila.

De outros contadores de energia inteligentes que mostram o consumo em quantidade de energia e em euros de cada aparelho para o consumidor fazer o seu próprio controlo… não se fala.

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 21:21

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Roubar nos casamentos

casamento.jpg

O Jornal Económico de hoje relata que o fisco anda a vigiar as prendas de casamento que os noivos recebem, para cobrar imposto sobre elas.

Isto é fascismo ou democracia?

Parece-me que a vergonha é cada vez menos naqueles que governam o país. E a ignorância cresce cada vez mais entre os eleitores. Ou a notícia está mal dada.

Clique nesta ligação para ver a notícia em que nos baseamos

Bem podem queixar-se da diminuição da natalidade, como ainda hoje era noticiado: estamos na cauda da Europa e do mundo.

Porque razão então este tipo de leis?

Uma explicação simples e provável é o seu enquadramento na guerra que os governos fazem às famílias. Quem não se casar, de modo tradicional, tem menos probabilidade de ser apanhado a receber prendas.

 

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Domingo, 9 de Julho de 2017

Mistério de Góis

Praia Góis 01.JPG

Fazemos uma leitura da Acta da Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Góis de 23 de Maio de 2017, conforme publicada no jornal O Varzeense.

E, ou estamos com alguma debilidade mental, ou há em Góis mistérios que nos ultrapassam.

Góis é um concelho do interior, de onde os cidadãos activos emigram na procura de condições de vida que não encontram no concelho. É infelizmente uma quase não região. Ainda assim, através da referida Acta ficamos a saber que é propositado o fecho ao desenvolvimento. Atente-se no seguinte trecho referente à intervenção do público:

gois 2.jpg

 Alguém espera 12 anos para adquirir um lote para desenvolver um negócio, não consegue e vai instalar o negócio num concelho vizinho e a presidente da Câmara dita para a Acta que lamenta. Que Lamenta! Que lamenta? Não diz que se trata de um negócio que não interessa ao município, mas apenas que lamenta o assunto não se ter conseguido resolver num prazo de 12 anos.

Assim Góis afundará mais e mais, sem dúvida.

Depois lemos no mesmo jornal, e já lêramos anteriormente sobre este assunto, que a Câmara está a tratar da instalação de um Hotel em Góis. E a questão é apresentada como se Góis não tivesse nenhum hotel e precisasse de um. Então, a Casa de Santo António não é um estabelecimento hoteleiro? Com capacidade para receber um número de clientes superior àquele que recebe? Mistério...

Paria Góis 02.JPG

 

Ainda na Acta, faz-se referência à aprovação por unanimidade dos vereadores da proibição de estacionamento de caravanas e autocaravas em toda a via marginal ao Rio Ceira em Góis. Afinal, Góis quer ou não quer receber turistas? Precisa ou não precisa de receber turistas? Mistério...

Talvez exista uma explicação para estes mistérios, mas então devia ser publicada no mesmo jornal. Certamente a Câmara paga a publicação das Actas, logo deve tirar disso proveito. A publicação das actas não é um proforma para cumprir um preceito legal, mas para esclarecimento do público, dos cidadãos, dos contribuintes, dos eleitores. Em democracia não pode haver Mistérios. Ou dá a ideia de andar tudo à balda.

 

Orlando de Carvalho

 

 

publicado por nivelar-por-cima às 23:24

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