Terça-feira, 30 de Maio de 2017

Alimentação, Obesidade e Ignorância

pão com manteiga.jpg

 

 

Um dia destes na RDP Antena 1, ao fim da manhã, falavam sobre alimentação e obesidade. Um locutor entrevistava uma senhora a quem chamava bastonária e que devia ser entendida em nutrição. No exterior, um repórter entrevistava crianças, provavelmente numa escola.

A conversa em estúdio e as entrevistas no exterior estavam em consonância e mostravam a qualidade do programa (na rádio pública estatal!). Nem formação, nem informação.

Diálogo no exterior:

- Tu, menino, que comes ao pequeno almoço?

- Café com leite e pão com manteiga.

- E não comes fruta nem cereais?

- Não, senhor.

- E tu, menina, que comes ao pequeno almoço?

- Café com leite e pão com manteiga.

- E não comes uma peça de fruta nem cereais?

- Não, senhor.

Comentários no estúdio sobre a importância da fruta ao pequeno almoço e dos cereais.

- E tu, menino, que comes ao pequeno almoço?

- Café com leite e pão com manteiga (parecia que os miúdos estavam todos combinados)

- E não comes uma peça de fruta nem cereais?

- Não, senhor.

A conversa manteve-se nos mesmos parâmetros, no exterior. Sobre os disparates em estúdio, nem comentamos. Mas salientamos que não se disseram só disparates, honra seja feita aos intervenientes.

 

Mas, que percebe aquela gente de nutrição e de cultura geral? Pão com manteiga não são cereais? É preciso torrarem o pão, juntarem-lhe açúcar, aroma de cacau e mais uns quantos aromas e químicos para aquilo ser cereal? Será que pensam que o pão é feito de carne?

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 20:01

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Domingo, 28 de Maio de 2017

Violar mulheres matar pessoas

Presidente das Filipinas estabelece Lei Marcial e

 O presidente das Filipinas não respeita as mulheres. Incita os soldados a violarem-nas. Também não respeita as pessoas: incita os soldados e os civis a matarem alguém que seja denunciado como traficante, mesmo sem provas.

O presidente da Coreia do Norte é o atrasado mental que sabemos.

Na Índia várias mulheres são violadas todos os dias. Mesmo por familiares. Todos colaboram: autoridades, tribunais, homens que se deviam chamar bichos.

De facto, quem não respeita as mulheres também não respeita os homens.

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/se-violarem-tres-mulheres-direi-que-fui-eu-duterte-volta-a-estar-debaixo-de-fogo-apos-segunda-piada-sobre-violacao

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 22:39

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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

Bebés hooligans

IMG_20170511_080543.jpg

É engraçado como tantas pessoas que se declaram democratas são capazes de inscrever bebés recém-nascidos em clubes de futebol. É engraçado, mas não tem graça alguma, porque demonstra bem quanto enganadas as pessoas andam neste mundo, vivendo asfixiadas em dependências estúpidas que apenas põem em questão a racionalidade dos seres humanos.

Não critico as pessoas que assim procedem, mas levanto a questão para que essas pessoas e todas as outras façam uma reflexão sobre si, sobre a nossa sociedade e sobre o futuro, porque, sendo lugar comum é facto, o futuro são as crianças.

Em casa dos meus pais tive plena liberdade de escolha do clube que queria adoptar, o mesmo acontecendo com os meus irmãos. E fizemos escolhas diversas. Fui assim educado.

É lamentável que se fale tanto de educação, dos deveres do Estado na educação, mas os pais, em casa, tantas vezes deseduquem os filhos, bloqueando-os a um clube de futebol.

Lembro uma história com mais de cinquenta anos. Não sei se hoje seria possível, mas não encontro nenhuma objecção a que se repita nestes dias do século XXI em que o futebol em especial e o desporto em geral são razão de ódios, de agressões, de mortes.

Numa mesma casa moravam várias pessoas da mesma família. Uma era criança de cinco anos. O pai era do Benfica e quando ao fim do dia entrava a criança gritava:

- Viva o Benfica!

O tio que também lá residia era do Sporting e quando entrava a criança gritava:

- Viva o Sporting!

Um dia a criança enganou-se e trocou o clube. O estaladão que levou na cara foi tão grande que bateu com a cabeça no móvel do outro lado da sala, partindo a cabeça.

Como é possível matar alguém por ser de outra cor? Como é possível viajar milhares de quilómetros para ir ver o seu clube jogar e, em vez de desfrutar, se opta pela bebedeira farta e pela luta à maneira dos bárbaros romanos.

Recordo a questão dos azuis e verdes no declínio do Império Romano.

No ano 532, quando Justiniano reinava em Constantinopla, as corridas de cavalos e quadrigas motivavam tanto o povo como os clubes de futebol ou os partidos políticos na actualidade, organizando-se claques de fanfarrões idênticas às que existem hoje.

Inicialmente as claques identificavam-se por cores diversas, que se reduziram aos brancos, vermelhos, verdes e azuis, e finalmente a verdes e azuis, que supostamente agregariam respectivamente o povo e os nobres. Para além das corridas, as claques estavam divididas por questões políticas, teológicas, filosóficas, tudo servia para lutarem entre si.

Verdes e azuis odiavam-se, não sabiam porquê, como hoje adeptos de clubes de futebol diferentes se odeiam apenas por ignorância e estupidez.

Há quem não consiga entender como há casas de família onde convivem pessoas adeptas de clubes diferentes.

Quem se regozija são os presidentes desses clubes, os jogadores de futebol profissional, os agentes desportivos, os árbitros, a comunicação social ligada ao tema, enfim, um mundo de gente a ganhar dinheiro à custa dos lorpas que se deixam defraudar, gastam o seu dinheiro e usam o tempo que podiam ter de felicidade para dar e levar porrada.

Voltando aos verdes e azuis, em Constantinopla, sabe-se como acabaram, e foi muito mau. Conseguiram lutar durante cinco dias barricados dentro do estádio, já com intenção de despedir o imperador e assumir o poder.

Esta foi uma causa, não decisiva, mas contribuinte para a queda do Império Romano do Oriente. Diz-se que as tropas leais ao Imperador venceram verdes e azuis e terão morrido uns 30 mil membros de claques. Muitos como em Heysel Park, esmagados pela turba em debandada.

Há quem levante a questão de pais cristãos baptizarem os seus filhos ainda crianças. Que comparação pode haver entre uma questão de fé, de coração ou razão e o clubismo colorido de claques de bêbedos, rufias, zaragateiros ordinários, arruaceiros que são capazes de inscrever os filhos em clubes, acabando por os tornar em seus sucessores nas tais claques que apenas servem, em termos reais, para fazer mal à sociedade?

A fotografia é de um babete com as cores de um clube. Foi o babete que despertou este artigo, mas o leitor pode ler lá o nome do seu clube ou de outro qualquer que use arruaceiros para justificar o mau perder com adversários que jogam melhor. Aos vencedores? Em vez de lhes dar os parabéns, mandam os tais dar-lhes porrada. Lamentável!

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 23:13

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Sábado, 6 de Maio de 2017

Choque de culturas

Há mais de 13 anos, A. Pereira Caldas lamentava e reprovava a segregação étnica, no jornal Voz da Verdade.

Na ocasião, em Viseu, crianças ciganas tinham sido forçadas pelos pais dos outros alunos a mudar de escola, com o beneplácito das autoridades. E na nova escola, a cena estava a repetir-se.

Os seus argumentos são os valores que se devem sobrepor a tudo o mais. Consideramos esse argumento válido, mas frustrante. É um argumento que não aponta para qualquer horizonte nem projecta alguma melhoria de vida, nem para uma das partes, nem para a outra, uma vez que ignora e não responde às situações concretas.

Recordo, mais recentemente, a situação de crianças imigrantes búlgaras que na escola primária, em Loures, se valiam da sua cultura, da sua corpulência e de terem mais idade que as outras, portuguesas e de outras culturas, nomeadamente africanas e brasileiras, para lhes darem sovas e as roubarem. E quando houve reclamações, os pais búlgaros foram à escola ameaçar as outras crianças. Perante a passividade das autoridades.

Todos conhecemos algum compatriota nosso que é ou foi emigrante, senão temos mesmo dentro da família pessoas que procuraram melhor vida no estrangeiro.

Eu conheci comunidades portuguesas no estrangeiro.

A emigração portuguesa consistia normalmente em ir, trabalhar, amealhar, enviar dinheiro para casa ou estabelecer residência no novo destino, adaptando-se ao novo ambiente. A cultura portuguesa, incluindo a língua e a religião, mantinham-se sem nunca entrarem em conflito com os “donos da casa”, aqueles que abriam as portas e acolhiam, não importa com que benefícios para eles, interessa sim que os portugueses melhoravam quase sempre o seu nível de vida.

Também Portugal acolheu em meados do século passado enormes contingentes de homens cabo-verdianos, contratados por construtores civis que buscavam salários baixos numa guerra que se desenhava em construir depressa e enriquecer ainda mais rapidamente.

Muitas dessas famílias mantêm-se na sociedade portuguesa, com os seus hábitos, mas integradas.

Um cristão, e os portugueses são cristãos na sua génese e no seu fundamental, no pensamento e na vivência social, recebe os refugiados, os emigrantes, os estrangeiros. E sempre ouvi dizer, desde muito novo, que o português recebe bem, sem desmentidos até à actualidade.

Coisas diferentes são acolher bem e deixar-se invadir.

Não existe nesta linha de pensamento qualquer ideia racista e para o explicar recorro ao futebol.

De todas as fontes clubísticas surgem as mesmas acusações. Favorecimento aos clubes grandes, favorecimento aos clubes da casa, mas pior que isso: o futebolista A comete uma falta grave e vê o cartão amarelo, mas se volta a cometê-la, principalmente se é um jogo muito importante, o árbitro não mostra segundo cartão, para não ter de o expulsar, mas mostra a outro jogador que cometa a mesma falta se não tiver de o expulsar. Ora, a lei ou é para cumprir ou não serve para nada.

Em relação aos estrangeiros ou povos de qualquer etnia existe a necessidade de acolhimento, mas de os fazer cumprir a mesma lei que existe para os que já lá estavam.

Se a autoridade age com medo perante uns, sujeita-se a ter de meter a viola no saco quando os outros lhe tecem comentários desagradáveis. E aqui o conceito de autoridade é muito abrangente e inclui muitos actores.

É preciso ensinar a acolher e a tratar com cordialidade, mas ensinar também como se deve reagir, quais as medidas a tomar quando o acolhimento e a cordialidade são respondidos com insulto e agressividade. A lei que existe não dá resposta, pelo menos na prática, e quando ela não funciona surgem os Trump, os Le Pen, que não resolvem nada, pelo contrário, mas parecem ser os únicos a dar resposta aos que são agredidos de variados modos, pelos que são diferentes, pelos hóspedes ou invasores, conforme o ponto de vista, embora estejam na sua própria terra.

O mesmo pensamento se aplica aos novos ateus que querem roubar aos que há séculos ou milhares de anos vivem a sua fé, impedindo-os de exibir cruzes e outros sinais religiosos.

Os portugueses sempre foram cristãos e continuam a sê-lo, de muitas formas o demonstrando. Quando meia dúzia de ateus anti-Igreja impõem determinado regime, fabricam as leis e querem tornar ilegal a prática da língua, da religião, da maneira de pensar, que se há-de fazer?

Estes tipos de ditadura, venham de dentro ou de fora, só servem para amachucar as pessoas honestas e de bem e trazer infelicidade aos cidadãos e às famílias, impondo, normalmente uma cultura de morte.

Que Deus nos valha e nos inspire.

 

Orlando de Carvalho

 

2003.10.19 A Pereira Caldas.jpg

 

publicado por nivelar-por-cima às 21:52

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