Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

De Auschwitz à actualidade

Eu já sabia que muitas grandes empresas que existem cresceram à sombra do nazismo. O assunto é frequente. Trata-se de empresas que foram apoiados pelo regime hitleriano e cresceram à sombra das atrocidades cometidas por esses mal-iluminados. Hoje, pessoas que visitaram campos de concentração nazis forneceram-me algumas informações que eu não conhecia e não é fácil obter porque os livros e os sites da Internet que as reproduzem são silenciados. Entretanto, alguma informação, ligeira, vai passando, para dar a ideia de que nada é ocultado.

Estranho como o dinheiro que resultou da utilização de trabalho escravo e é a justificação para essas empresas serem hoje sólidas do ponto de vista financeiro não incomoda os utilizadores dessas marcas. Como se um qualquer pedido de desculpas apagasse a memória!

Os cabelos, as toneladas de cabelos cortados aos prisioneiros antes de serem assassinados nas câmaras de morte dos campos de cooncentração, serviam para fazer tecidos, forros de fatos, chinelos. Cabelos de crianças! Hoje o nome Hugo Boss surge como marca conceituada e quem a usa parece importar-se pouco com o facto de ter passado de um pequeno negócio a uma indústria tão grande que precisou de importar centenas de franceses e polacos feitos escravos pelos nazis. Nazis que a empresa servia, com gosto, como se depreende das palavras de um dos filhos de Hugo Boss citadas pelo New York Times: "Sim. O meu pai era filiado e apoiava o partido nazi, mas não era o que aconteceia com todos os alemães, então?"

Siemens, Volkswagen, BMW, IKEA, Byer, as americanas Ford, Coca-cola... O regime nazi de Adolfo Hitler ajudou estas empresas a crescerem. Combóios de prisioneiros capturadas em França, na Polónia e noutras nações conquistadas e ocupadas abasteciam grandes empresas com trabalho escravo. 

Parece que tudo se passa como se vivêssemos numa sociedade subjugada pelo deus consumo e a ânsia de consumir fosse mais forte nas pessoas que a sua dignidade.

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 23:30

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

A Voz do Império Romano no século XXI

Cícero e as finanças do Estado.jpg

 

Marco Túlio Cícero nasceu em Arpino em 106 a. C e morreu em Formia em 43 a. C.

Foi um notável político e filósofo romano. O seu discurso tem nos nossos dias uma actualidade perfeita. Ou a sociedade é hoje tão imperfeita como há mais de 2000 anos. A mesma realidade encarada sob priesmas diferentes.

Santo Agostinho (354-430) adaptou alguns escritos e algumas ideias de Cícero à Teologia Cristã. Existe um paralelo entre a Da Re Publica, de Cícero, e a de Civitate Dei, de Agostinho. A teoria da guerra justa que Santo Agoistinho expõe já se encontrava em Cícero. 

Hoje revelam-se de grande actualidade muitas máximas de Cícero, mas quero destacar uma:

  • O Orçamento deve ser equilibrado
  • O Tesouro Público deve ser reposto
  • A dívida pública deve ser reduzida
  • A arrogância dos funcionários deve ser moderada e controlada
  • Aajuda a outros países deve ser eliminada, para que Roma não vá à falência
  • As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver às custas do Estado

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 11:32

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Domingo, 9 de Novembro de 2014

Será necessária mais competência para reagir à Legionella?

legionella.jpg

 

 

 Na quinta-feira, 6 de Novembro, deu entrada no Hospital de Vila Franca de Xira o primeiro doente da Epidemia de Legionella que se instalou nesta região. Logo de seguida, já havia 30 casos confirmados pelas autoridades de saúde, todas oriundas da mesma zona.

Neste momento, deveriam ter sido desencadeados procedimentos conjuntos pelas autoridades de saúde, em colaboração com a Autoridade Nacional de Protecção Civil. Desconheço a legislação que existe sobre o assunto, mas sei que esta devia ter sido a atitude correcta.

Assim que o número de pessoas atingidas pela epidemia crescia, deveriam ter sido tomadas algumas decisões, entre as quais quero destacar as seguintes.

1) Realização de uma Tempestade de Ideias (brain storm), com os doentes que registassem as condições mínimas para o fazer, assistidos por técnicos que registassem os resultados. O objectivo seria identificar algo em comum, pois se a fonte for uma, eles devem estar de algum modo a ela ligados.

2) Realização de outra Tempestade de Ideias, em lugar separado e devidamente orientado por técnicos, também, pedindo a familiares dos doentes para nela participarem. O objectivo desta reunião é o mesmo que da outra realizada com os doentes.

3) Mobilização de todos os serviços disponíveis, a nível de autoridades sanitárias, bombeiros, protecção civil e outras que a situação aconselhasse para, organizadas em brigadas, munidas do material necessário e devidamente instruídas, fazerem recolha de amostras em fábricas, centros comerciais, janelas de onde saiam vapores, para serem analisadas, fazendo pesquisa da Legionella pneumophilla

4) Utilizar outros meios de pesquisa, nomeadamente a Internet. Aí, poderiam descobrir que em 2004 se realizou um seminário organizado pela Associação Portuguesa de Técnicos de Cerveja e Malte, onde decorreram 4 conferências, sendo uma delas sobre Prevenção e Controlo da Legionella. Ora, se existe a necessidade de cuidados de higiene no fabrico da cerveja em relação à Legionella e existe uma fábrica de cerveja mesmo no centro da epidemia - Vialonga, Forte da Casa - urge perguntar que medidas e diligências foram feitas a este respeito.

5) Não seria boa política o aconselhamento do uso de máscaras descartáveis para filtrar o ar respirado às pessoas dos locais de onde são provenientes os doentes?

Quando escrevo, já é Domingo 9 de Novembro. Os doentes estão na ordem dos 100 e as vítimas mortais já são 4.

Antes de escrever, tentei contactar algumas entidades, com quem pudesse dialogar antes de escrever. Do Ministério da Saúde e Direcção Geral de Saúde, não tive a sorte de quem me atendesse o telefone. A Protecção Civil informou-me que não tem coisa alguma a ver com o que se passa (!). Os Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira confirmaram-me a data da primeira ocorrência e deles não quis saber mais. Do hospital informaram-me que não havia ninguém disponível para falar sobre o assunto e mandaram-me contactar a Saúde 24, mesmo depois de eu dizer que tinha uma informação para dar.

Penso que estamos a ter das entidades responsáveis toda a resposta que normalmente se espera nestes casos em Portugal. E até dizem que estão completamente preparados para uma crise de Ebola!

 

Leitura aconselhada: Epidemiologia, de Leon Gordis, traduzido por Ana Maria Carvalho mais informação aqui ou aqui

O documento na Internet que liga as cervejas  à Legionellaclicar aqui

 Crédito da fotografia: clicar aqui

 

Orlando de Carvalho

 

Edição pós-publicação, às 18h30: 180 infectados ou talvez 5 mortos. Amanhã é dia de trabalho: será que pessoas de outras zonas que se desloquem para trabalhar no(s) local infectado poderão ser atingidas?

publicado por nivelar-por-cima às 15:20

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