Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017

Dia de Anos

DIA DE ANOS

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois que se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!

 

João de Deus

 

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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2017

Filarmónica Fraude

filarmónica fraude.jpg

Uma das canções que mais vezes me ocorrem à memória, daquelas que já não se ouvem na rádio, é Animais de Estimação.

Música e letra verdadeiramente originais, ao menos para a época, de lançamento, 1969. A banda Filarmónica Fraude torna-se conhecida nesse ano, lança três discos e termina no ano seguinte. Ficou a boa memória.

Na época artificial em que o politicamente correcto é sempre mais valorizado que a verdade e a justiça, certamente movimentos e partidos defensores (eu acho que são mais pretensos defensores que se entusiasmam muito com o folclore zoológico que legítimos defensores) de animais contestariam esta esplêndida composição, talvez apelidando-a de zoofóbica.

A canção Animais de Estimação

 

Um poema mordaz para a sociedade fútil da década 1960

 

Animais de Estimação

Visons e leopardos
Sobem o Chiado
Criados de libré trincham faisões
Assentam-se arraiais em palacetes
Enfeitam-se uns e outros de brasões.

Com nomes de nobreza sem origem
E o mesmo diploma que a criada
Agarram-se a tudo o que não têm
P´la casa do Estoril hipotecada.

 

 Madames enfeitadas de perucas
matam o seu tempo inutilmente
Em canastas p´la noite fora
Propõem causas nobres pelas gentes.

 

Assim defino a vida de quem tem
Animais de estimação de vida sã
E em barracas com ar condicionado
Bichinhos que devoram croissants.
Cães com casaquinhos de cambraia
E gatos com golinhas de astracã.

 

Assim defino a vida de quem tem
Animais de estimação de vida sã
E em barracas com ar condicionado
Bichinhos que devoram croissants.
Cães com casaquinhos de cambraia
E gatos com golinhas de astracã.

Assim defino a vida de quem tem
Animais de estimação de vida sã
E em barracas com ar condicionado
Bichinhos que devoram croissants.
Cães com casaquinhos de cambraia
E gatos com golinhas de astracã.

Os elementos iniciais da banda eram:

António Avelar de Pinho

António Luís Linhares Corvêlo de Sousa

António Antunes da Silva

João Manuel Viegas Carvalho, que só participou na gravação do EP Flor de Laranjeira/Menino.

Júlio Vital dos Santos Patrocínio, baterista

José João Parracho, baixo.

 

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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2017

Pressa de chegar ao céu

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Como foi possível as férias terem encurtado tanto, em tão poucos anos!

Dantes, chagava aquele mês de férias e íamos um mês de férias. Com a democratização da vida política e social, podemos repartir as férias, meter dias de férias, a torto e a direito, enfim quando chega o mês de férias… é pouco mais de uma semana.

Se antigamente as férias já eram uma correria – que o testemunham tantos mortos, especialmente de emigrantes que retornavam para férias, de Paris à aldeia, por estrada, sem paragens, além daquela paragem fatal – agora são-no muito mais. Além do mais, mesmo em estradas de má qualidade, não conseguimos apagar aquele jeito de guiar como se fôssemos em auto-estrada, tal é o hábito de as usarmos e de termos tantas.

Quando vamos para a praia, já sabemos todos qual o horário que temos de praticar para não nos sujeitarmos às radiações que provocam cancro da pele e que são causadas pelo uso indevido do planeta que estragou a camada atmosférica, impedindo a sua acção de filtragem da luz solar.

Para aproveitar o melhor possível o tempo na praia, temos de ir a correr pela estrada fora, desde casa até lá, porque isto de levantar cedo nas férias não dá jeito. Nem em tempo de trabalho, quanto mais nas férias! E quando chega a hora malfadada do sol apertar, saímos da praia a correr. Uns vamos apressados para o restaurante, cheios de fome, outros vamos para o picnic (Sim! Ainda há quem os faça), outros ainda vamos com pressa tomar banho a casa ou ao hotel, para depois almoçar.

Aquele fulano ia a guiar o carro para o picnic, com a família, depois de saírem da praia, ao meio dia. Devagarinho, na estrada que cruzava o pinhal, à procura de um lugar bom, sem lixo, clareira aberta, com sombra, sem valeta a transpor da estrada para a entrada no pinhal. Ora, isto é tarefa difícil, como se percebe.

Pai: Que tal aqui?

Filha: Já tem muitos carros.

Mãe: E ali, daquele lado da estrada?

Pai: Há traço contínuo, só se for lá à frente fazer inversão de marcha.

Filho mais velho: Aqui também não dá, porque não podemos jogar à bola.

Mãe: Nem ali, que não tenho árvores para a minha cama de rede.

Filho mais novo: Ali, ali parece-me bem.

Todos: Sim, ali.

O pai sinaliza o pisca, abranda ainda mais a marcha e começa a sair da estrada para o pinhal.

Ora, como já anteriormente reparámos, nem todos se podem dar a este luxo de escolher com atenção e tempo o lugar para o almoço de picnic. As pessoas, especialmente os condutores, dos carros atrás desta família vinham já super-irritadas com a demora, cada um encostando ao carro da frente, vociferando asneiras dentro do seu próprio carro, tentando tais pessoas convencer-se que assim se despachavam mais depressa. E se não despachavam, ao menos aliviavam a tensão de ir atrás daqueles atrasados mentais que pareciam ir em passeio. Raios! Gozar as férias requer atenção, organização, empenho, não é nenhum passeio para amadores sem nada que fazer.

Quando a tal família do picnic começou a virar para dentro do pinhal, quase a velocidade zero, por causa do desnível da estrada – que agora parece fazerem de propósito estes desníveis – ouviu-se um tremendo estrondo. Pareciam as panelas da lembrança da minha infância, naqueles maravilhosos penduros na parede da cozinha, que quando caía uma, iam todas atrás pum-catrapum-tá-lá-lá-pim-catrapim a bateria toda no chão da cozinha, em batidas agudas de lata a tinir, que, não sei porquê, sempre me evocou a Sagração da Primavera de Stravinsky. Ouvir aqui

Rapidamente o carro que vinha logo atrás ultrapassou os do picnic, mesmo sem pisca – ou será que já levava pisca aberto há cinco minutos, para estar preparado para se livrar daqueles empatas na primeira oportunidade? – mas os outros ficaram todos imobilizados no sítio em que tinham parado.

O carro que vinha em quarto lugar na fila, tinha batido no que vinha à sua frente, em terceiro lugar. Pararam e pararam todos. Lentamente, os de trás começaram a ultrapassá-los e a continuar as suas vidas, ignorando o incidente. Os carros acidentados encostaram à berma da estrada, sem triângulos, sem coletes reflectores… afinal ali no meio do pinhal, para quê? Aparentemente, ambos os carros estavam de boa saúde. O casal e os filhos que viajavam no carro que bateu saíram olharam ambos os carros e pensaram logo em seguir viagem. Mas o casal do carro que sofreu o embate não estava assim tão seguro da situação. Inspeccionaram todo o seu carro, um Passat daqueles grandes e de aspecto forte, verificaram se o carro não tinha dobrado no meio com o ligeiro embate do pequeno Clio e prepararam-se para a Declaração Amigável de Seguro. Os de trás não estavam pelos ajustes, nem queriam acreditar, mas não lhes restou alternativa. O senhor do carro vitimado, embora este não tivesse quaisquer mazelas visíveis, mas que ele sabia que poderiam vir a surgir depois, ia preenchendo a Declaração, com muita conversa a intervalar sobre cuidados a ter na condução, deixando cada vez mais exasperados os do carro que bateu.

Os do picnic, entretanto, tinham-se instalado e iam almoçando e vendo o espectáculo da Declaração Amigável.

No final, o filho mais velho até se esqueceu que queria jogar à bola e foram embora, até ao café mais perto, comer gelados. Pouco depois de eles abalarem, os do acidente foram também às suas vidas, embora os que bateram por trás fossem visivelmente irritados com a demora.

Há pressas que são assim. A ira ultrapassa a razão e a tolerância e prejudica os irados e os outros. Neste caso, os outros foram os do carro que sofreu o embate. Seria o condutor da viatura vitimada também um dos que iam enervados com a demora? Nunca o saberemos. Mas sabemos que os do picnic, que não fizeram mal a ninguém, só trataram das suas vidas, sim, não foram eles os causadores da instabilidade emocional dos que queriam a estrada só para si, neste caso não saíram molestados.

Quantos saem de casa para gozar um tempo de férias, sem terem a noção do que isso significa? Dão cabo das suas vidas e das vidas dos outros. Infelizmente, os outros, são tantas vezes a pessoa amada do banco do lado e as pessoas amadas do banco de trás, além dos desconhecidos, os terceiros que levam com eles em cima.

Em todo o tempo de férias há sempre vítimas e há sempre irresponsáveis que vitimam inocentes. Cuidado na condução, cuidado nos locais onde entrar na água, com tantos cuidados esta história que pretendia ser irónica e com certo humor ainda acaba em sermão. Mas se sermões destes evitassem tragédias, viúvas e viúvos, filhos órfãos e pais órfãos de filhos, pessoas em viaturas abalroadas que num segundo se passam para o céu, sem saber o que lhes aconteceu nem como lá chegaram, então os sermões valiam a pena.

Este vai ser lido, quando o leitor chegar a meio (terá paciência para tanto?), talvez sorria, mas não será este sermão (será mesmo sermão?) que irá alterar a inevitabilidade dos que já programaram os homicídios e suicídios que vão cometer durante estas férias. Involuntários? Que interessa aos que ficam a chorar!

 

Orlando de Carvalho

 

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Quarta-feira, 26 de Julho de 2017

Avós caducos

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 A partir da década de 1960 acentuou-se uma tendência de compartimentação das gerações dentro da família que já vinha de há muito tempo. A instabilidade social da época da Revolução Industrial, as migrações provocadas pela fome generalizada na Europa, os movimentos marxistas e os existencialistas relegaram os avós para um degrau fora do alcance da restante família e o mesmo aconteceu também aos mais novos, os netos desses avós e filhos da população activa, nome descoberto para caracterizar a geração do meio, a verdadeira responsável por toda esta desagregação.

Eclode a expansão dos lares para a terceira idade, que não são em muitos casos um auxílio para a família, mas um modo de responder ao tamanho das casas, que diminuiu, ao facto de todas as outras pessoas da casa terem imensas actividades. Para avaliação do verdadeiro sentido destes lares temos de ter presente a quantidade de casos de idosos que são depositados sob os mais diversos pretextos em hospitais em alturas que costumavam ser de festa familiar, o Natal, a Páscoa, e também as férias de Verão.

O importante papel que estas instituições desempenham em tantos casos não pode impedir-nos de encarar o lado talvez mais esquecido ou oculto que é a de serem usados como antecâmara da morte. O empenho de tantas pessoas novas e saudáveis nos movimentos pela eutanásia não devem deixar dúvidas.

Entretanto surgem estudos de universidades que concluem muito doutamente que as crianças educadas pelos avós ou que ficam à guarda dos avós são prejudicadas em relação às que frequentam creches e jardins de infância. Estudos desses que as multinacionais compram e que as universidades e os académicos fornecem para ganharem algum dinheiro; estudos que são meras dissertações com carácter de marketing.

 

Entretanto, os mais velhos parecem ter ganho vida nova em consequência dos avanços da medicina, mas também em consequência de uma maneira diferente de encarar a vida, também beneficiados por novos esquemas de reformas sociais e aposentações.

Para muitos idosos, os lares deram lugar a universidades da terceira idade e mais tarde a terceira idade começou a acabar sendo substituída pela idade sénior. Já ninguém quer ser velho, idoso ou da terceira idade, passaram todos a seniores.

Sou professor neste recente tipo de universidades e apercebo-me de uma recuperação do papel dos avós nas famílias. Os meus alunos escolhem os horários, no início do ano lectivo, em cada ano, em função dos horários dos netos que têm de ir buscar ou levar às escolas que eles frequentam. A assiduidade destes meus alunos mais velhos está essencialmente dependente das suas consultas e exames médicos, de facto, e da assistência que dão aos netos. Felizmente, muitos destes meus alunos, estão também dependentes de outros tipos de apoio que dão à família. Enternece-me o amor que transparece em tantos deles: homens de oitenta anos que cuidam das esposas doentes e organizam as suas vidas, e a participação nas actividades da universidade, em função da assistência que dão às esposas; mulheres que têm em casa maridos vitimados por AVCs e outras doenças incapacitantes e conseguem manter-se jovialmente vivas na participação e no convívio académico, em afazeres domésticos e no acompanhamento aos seus companheiros. Uns e umas sem considerarem peso o cônjuge, mas como óbvia a assistência que prestam. Também os que apoiam os netos não se queixam, mas encaram as suas situações como naturais.

Parecendo há umas décadas atrás que os velhos não prestavam para nada, aqueles que conheço não têm tempo para discutir eutanásias. São pessoas ocupadas. Não são avós caducos, mas pessoas válidas que prestam os mais diversos tipos de serviço social e familiar.

 

Orlando de Carvalho

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Segunda-feira, 24 de Julho de 2017

Pais da geringonça luso-venezuelana

sócrates augusto ss pedro sp chavez maduro.jpg

 

Sócrates era o grande aliado de Hugo Chavez na Europa. E que negócios!
Augusto Santos Silva era um braço direito de Sócrates no governo que fazia negócios com Hugo Chavez.
Augusto Santos Silva não se cansa de pedir moderação nas atitudes que se desenvolvem para apoiar o povo da Venezuela contra a ditadura assassina do sucessor de Chavez, Nicolás Maduro. O povo que aguente enquanto o ditador assassino manda os seus soldados matar os filhos da Venezuela.
Alguma vez o fascista Salazar matou tantas pessoas nas ruas como o ditador comunista da Venezuela.
Um desafio para crianças: quem são os maus e quem são os bons nesta jogatana? Quem ganha e o que ganha?
 
Orlando de Carvalho
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2017

República de Vigaristas (com V maiúsculo)

A República busto de mulher.jpg

Carlos César (PS) tem toda a sua família empregada em cargos públicos, incluindo posições de nomeação. Ricardo Rodrigues (PS), célebre por ter sido condenado em tribunal pelo roubo de gravadores a jornalistas durante uma entrevista, foi escolhido pelo PS e há semanas eleito pelo parlamento para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais. António Gameiro (PS), conhecido por ter sido condenado em tribunal pela apropriação indevida de 45 mil euros de uma cliente (e com pena agravada pelo Tribunal da Relação), foi (novamente) eleito para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal. E, menos recente mas interessante de comparar com o que sucedeu na Suécia, Glória Araújo (PS), à época deputada (2013), foi apanhada pela polícia a conduzir sob efeito de álcool (2,41 g/l) – e recusou renunciar.

Todos os exemplos recentes são do PS? Sim, como seriam do PSD se estivesse no governo – o poder permite aos partidos agir à sua conta e vontade.

 

Para ler o artigo completo de Alexandre Homem Cristo, em Observador, em 29 de Maio de 2017, clique aqui.

 

O artigo completo também aqui.

 

Dar-se ao respeito

 

É arrasadora a indiferença dos partidos aos critérios éticos. Mas alguém se importa? O facto de as recentes eleições de Ricardo Rodrigues e António Gameiro mal terem sido notícia é esclarecedor.

A qualidade de uma democracia republicana mede-se, entre outras vias, pelo comportamento dos seus representantes, tanto governantes como parlamentares. Isto porque os nossos regimes liberais não são apenas compostos de regras, leis, instituições, freios e contrapesos. O cumprimento da lei não chega – de nada servem as regras e as instituições se umas não forem cumpridas e outras não forem respeitadas, mesmo quando assim a lei o permite. Os regimes liberais distinguem-se, para além da forma de governo, pela sua dimensão moral. Estão suportados em pilares éticos e são mantidos por quem acredita nos valores da liberdade, igualdade, justiça, dignidade humana, diversidade, tolerância. E, como tal, a credibilidade de um sistema político perante os cidadãos assenta, também, no reconhecimento do respeito por esses valores por parte dos seus representantes – e não, somente, do cumprimento da lei e das regras, pois algo ser legal não significa que seja ético.

É por isso que, em várias democracias maduras, os políticos abandonam as suas funções quando se vêem envolvidos em casos que põem em causa a sua idoneidade enquanto servidores públicos. Só no último ano, exemplos não faltam. Bruno Le Roux, ex-ministro do Interior em França, demitiu-se devido à contratação das suas filhas para assistentes parlamentares. Aida Hadzialic, ex-ministra da Educação na Suécia, demitiu-se por ter sido apanhada a conduzir sob efeito de álcool (0,2 g/l). Keith Vaz, ex-deputado inglês do Partido Trabalhista, demitiu-se por se ver envolvido num caso de prostituição masculina. Ard van der Steur, ex-ministro da Justiça da Holanda, renunciou ao cargo face à acusação de que, em 2001, teria ocultado informações ao parlamento sobre um caso de corrupção de justiça. José Manuel Soria, ex-ministro espanhol da Indústria, demitiu-se após ter sido conhecida a sua relação com empresas em paraísos fiscais. Sigmundur Gunnlaugsson, ex-primeiro-ministro da Islândia, renunciou ao cargo quando se viu envolvido no escândalo dos Panama Papers. E por aí fora.

Em Portugal, resiste uma certa dificuldade em compreender esta lição elementar: o regime tem de manter uma dignidade moral e quem ocupa cargos públicos tem de estar acima de qualquer suspeita. Aliás, um dos debates deste tempo ilustra bem o problema: não se precisa dos tribunais para afirmar que Sócrates, enquanto agente político, é culpado – basta saber que, enquanto primeiro-ministro, viveu às custas de transferências ocultas de um amigo com quem o Estado mantinha negócios. Mas se Sócrates é um óbvio caso de polícia, a cena política portuguesa está repleta de situações cuja inconsequência envergonha.

Carlos César (PS) tem toda a sua família empregada em cargos públicos, incluindo posições de nomeação. Ricardo Rodrigues (PS), célebre por ter sido condenado em tribunal pelo roubo de gravadores a jornalistas durante uma entrevista, foi escolhido pelo PS e há semanas eleito pelo parlamento para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais. António Gameiro (PS), conhecido por ter sido condenado em tribunal pela apropriação indevida de 45 mil euros de uma cliente (e com pena agravada pelo Tribunal da Relação), foi (novamente) eleito para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal. E, menos recente mas interessante de comparar com o que sucedeu na Suécia, Glória Araújo (PS), à época deputada (2013), foi apanhada pela polícia a conduzir sob efeito de álcool (2,41 g/l) – e recusou renunciar.

Todos os exemplos recentes são do PS? Sim, como seriam do PSD se estivesse no governo – o poder permite aos partidos agir à sua conta e vontade. Eis a arrasadora indiferença dos partidos aos critérios éticos, sobretudo quando integram a maioria parlamentar. Ora, é fácil (e justo) apontar o dedo aos partidos. Mas tudo isto apenas acontece porque se entrega aos políticos a decisão em benefício próprio, sem ter contrapeso na sociedade civil – isto é quem proteja o sistema político, denuncie e pressione os partidos a alterar comportamentos que, sendo legais, não são éticos. Só que, no fim de contas, ninguém se importa realmente. O facto de as recentes eleições em plenário da Assembleia da República (Ricardo Rodrigues e António Gameiro) mal terem sido notícia é prova suficiente. Depois não há surpresas: quem não se dá ao respeito não é respeitado.

 

 

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Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

Em cadeira de rodas, mas vivo

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 Em ti, filho que não gerei, mas amei, penso enquanto recordo e escrevo estas palavras.

Eras tão novo e distinguias-te já pelo zelo pastoral e evangélico, como dirigente em movimentos de jovens, como filho, quando aquilo aconteceu: não sabemos que bichinho te atacou, mas paralisou-te até ao final da vida.

Parecia motivo de compaixão, de pena, de desgraça. Terá sido tudo isso e mais, mas quero agora exaltar algo que pertence ao “mais”.

Foste sempre a alegria, o rosto alegre de Deus, mais que persistência, resignação, luta ou paciência, tu parecias enfrentar a vida como ela era. Em cada hora, em cada momento.

Penso na alegria que te proporcionaram o médico e enfermeiros que te levaram de ambulância e maca à praia, junto à marginal, na Costa de Lisboa.

Penso no baptizado em que foste padrinho, no padre que o queria evitar – Ciúme? Inveja? – e naquele outro que veio de tão longe para o contradizer eficazmente.

Penso naqueles que quiseram impedir o teu casamento e naqueles que o viabilizaram.

Penso na tua atenção e na tua gentileza, mesmo num estado que parecia deplorável.

Estavas paralisado mas não da cabeça nem do coração. Tu transmitias vida.

Penso nas contrariedades da burocracia e da falta de humildade, caridade, humanidade de tantas pessoas, dos médicos que exigiam que te apresentasses lá em cima para a Junta, sem que a cadeira de rodas coubesse dentro do elevador e nos outros que exigiam que assinasses um documento tendo o braço paralisado.

A alegria sempre que podias ir mais além da tua condição, passeando, olhando o céu, o mar, o verde da Natureza.

 

A reportagem do jornal O Varzeense lembrou-me tudo isto e a necessidade que existe em o proclamar ao mundo. Muitas pessoas ignoram que a felicidade e a alegria continuam acessíveis aos doentes profundos e que estes as podem viver e comunicar aos outros. Muitas pessoas carregam estes doentes com mágoa e tristeza e impedem-nos de viver e comunicar a alegria porque não compreendem que a alegria e a felicidade são muito mais que “ter”, são completamente “ser”.

 

Que este simples gesto reportado em O Varzeense possa ser seguido e reproduzido em muitos lugares e de muitas maneiras.

 

Orlando de Carvalho

 

 

Descida Cadeira de Rodas Foto 1.jpg

 

 

Descida da Serra em Cadeira de Rodas

 

A ARCIL, em colaboração da Câmara Municipal da Lousã, promoveu no dia 26 de maio, a 12ª edição da Descida da Serra da Lousã em Cadeira de Rodas, que contou com a participação de cerca de 70 pessoas utilizadoras de cadeira de rodas.

Esta iniciativa, que consiste num passeio pela estrada nacional nº 236, teve início na aldeia de xisto do Candal terminando na vila da Lousã e contou com uma paragem a meio do percurso para um almoço ao ar livre, apreciando a beleza natural e desfrutando do que envolve a própria Serra, num cenário único e num ambiente fantástico.

Clara Nunes, residente em Vila Nova do Ceira, foi uma das participantes e disse ao nosso jornal que “foi maravilhoso, emocionante. Uma equipa fantástica e um convívio saudável”, acrescentando ainda: “foi a oitava vez que participei e se fosse amanhã repetia novamente”.

A organização desta atividade pretendeu proporcionar a pessoas utilizadoras de cadeira de rodas a possibilidade de efetuarem um passeio pela Serra da Lousã, podendo assim apreciar a riqueza dos espaços naturais e contactando com a diversidade das suas paisagens.

 

In Jornal O VARZEENSE n.º 698 - 15/06/2017

 

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Contra os pais. Contra a educação.

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A lesgislação produzida recentemente nos países ditos de cultura ocidental, que não cristã nem judaico-cristã, nem inspirada no Direito Romano, tem lançado constrangedoras sementes de destruição da família.

A notícia reproduzida é um oásis neste deserto de bom senso, porque, no final, os juizes mostram-se bem mais sensatos que os legisladores e o Ministério Público espanhol.

Orlando de Carvalho

 

Leia aqui a notícia na Fonte ou abaixo:

 

Criança espanhola processa mãe por ter levado um estalo

Ministério Público pedia que a mulher fosse condenada a 35 dias de trabalho comunitário e que lhe fosse negado o direito de comunicar com o filho durante seis meses.

Uma criança de 11 anos processou a mãe por esta lhe ter dado um estalo. O caso aconteceu em Espanha.

De acordo com o jornal “El Mundo”, a mulher respondeu em tribunal por ter dado um estalo ao filho quando este lhe atirou o telemóvel depois de se ter recusado a preparar o pequeno-almoço.

A criança justificou esta atitude dizendo que “estava a ouvir música no seu novo telemóvel topo de gama” e que não queria ser incomodado.

Este não terá sido, no entanto, o único incidente objecto de análise no processo. A criança alegou ter sofrido abusos anteriores por parte da mãe, indicando que chegou a necessitar de tratamento médico em algumas situações. O Ministério Público pedia, assim, que a mãe fosse condenada a 35 dias de trabalho comunitário e que lhe fosse negado o direito de comunicar com o filho durante seis meses.

O menor perdeu o caso. O tribunal da Corunha entendeu que o acto foi “justificado”.

O juiz considerou que “os actos foram pontuais e devido a provocação por parte do menor”. O magistrado entendeu que a atitude da criança deve ser seguida por especialistas pois necessita de “correcção imediata”, uma vez que aparenta sinais de “síndrome de imperador”, isto é, resiste às ordens dos pais ou de terceiros, podendo adoptar comportamentos violentos.

 

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Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

Eutanasiar a minha mãe

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Depois de ler mais um comentário de uma senhora acerca do seu direito a mandar no seu corpo, mesmo que para isso tivesse de matar o seu filho, se esta a incomodava, pensei na seguinte história. Infelizmente tão verdadeira. Não comigo, claro, que a minha santa mãezinha até já está junto de Deus. Sem comentar nem criticar pessoa alguma em particular, mas para ajudar todos a reflectirem, eis a história.

 

Tenho a minha mãe em casa, inválida, incapaz, não serve para nada, só para atrapalhar. Baba-se a comer, urina e defeca onde não devia. A mulher está a privar-me da minha vida. Eu tenho direito a usufruir do meu corpo na sua globalidade: anatómica, fisiológica, mental, espiritual.

Só me resta uma saída: Vou até à Bélgica e mando eutanasiar a minha mãe. Ninguém tem nada a ver com a maneira como cuido de mim, do meu bem-estar: é um assunto do foro privado. Íntimo. Sim, de mim, eutanasiar a minha mãe é para me livrar do que me está a incomodar.

 

Pensando bem, que sortudo eu sou! Se a minha mãe, há mais de 60 anos pensasse como eu e tivesse tido a mesma ideia em relação a mim...

 

Orlando de Carvalho

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Segunda-feira, 17 de Julho de 2017

Miguel, meu querido neto

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Miguel, meu querido neto,

Esta carta é para ti especialmente.

Quero bastante que entendas, desde muito cedo, que a vida, a vida de todos e a tua vida, a vida está repleta de agruras e doçuras, mas será sempre mais nivelada, sem canseiras nem tropeços se nós não a complicarmos nem nos deixarmos enredar nas complicações que outros criam para nós e por nós.

 

Apenas a Palavra de Deus nos pode ajudar a entender o significado verdadeiro dos gestos e atitudes com que nos deparamos no quotidiano, feitos por nós ou pelos outros.

Muito do que dizemos e fazemos parece ser por intuição, sem que o consigamos explicar e quando tentamos, a explicação ainda nos atrapalha mais. Da mesma maneira, quando julgamos os outros – e passamos a vida a julgar, às vezes a elogiar, mas normalmente a condenar – a maior parte das vezes erramos, porque em vez de usarmos como termo de comparação a Palavra de Deus, sempre tolerante e misericordiosa, usamo-nos a nós mesmos, exigindo aos outros que sejam como nós idealizamos que deviam ser. Mas nós somos pouco mais que barro, terra, húmus, enfim, lama, estrume. Por essa razão, quando os cemitérios deixaram de ser ao lado das igrejas, e lá se instalaram hortas, elas eram tão férteis. Os nossos antepassados eram o grande segredo, os seus corpos eram o melhor fertilizante.

A Palavra de Deus chega-nos através da Sagrada Escritura, mas também nos chega por diversos outros meios. Um deles é, sem dúvida, a aceitação da realidade da Natureza e do bom senso. Sem aprofundar a questão do bom senso, toma nota que o bom senso não é aquilo que me parece ou que por qualquer razão em qualquer momento vai na minha cabeça. Vou agora falar-te de antepassados teus.

 

Antes de morrer, mas vislumbrando o fim que se aproximava inexorável, Aurora fez um pedido grave ao marido exigindo-lhe que prometesse não voltar a casar. Parecia, naquele tempo, uma história de grande amor, quais Romeu e Julieta.

A realidade foi bastante diferente de um manto de ternura, foi mesmo bastante dolorosa. João, o esposo viúvo, ficou com uma criança bebé a seu cargo. Um dia tomou-se de amores por Laura mas manteve-se fiel ao juramento que fizera a Aurora na hora da morte. Laura dormia umas noites em sua casa, outras em casa de João, vivia na obscuridade perante os vizinhos que a viam entrar e sair. Nunca conseguiu aceitar Maria, o fruto do amor entre Aurora e João e sempre lhe fez a vida negra, contribuindo e criando um mau ambiente entre pai e filha. João nem sequer foi ao casamento da filha. E manteve a relação amorosa até à hora da morte como se de uma vergonha que precisasse esconder se tratasse.

Maria aprendera bem a lição de que não é lícito deixar em testamento desejos íntimos que obriguem os que ficam a viver situações dolorosas e fúteis. Ela deixou bem explícito que, caso morresse antes do seu marido e seu grande amor, Amadeu, era sua opinião e desejo que ele voltasse a casar e tivesse um lar estável. Assim aconteceu. Amadeu tomou Margarida como sua segunda esposa. Não foi fácil aos filhos Ana e Luís aceitarem esta decisão do pai, mas além de preceder do desejo expresso pela mãe, era também a vontade do pai. E a família teve um tempo de alguma tranquilidade que sucedeu ao luto.

Mais tarde, muitos anos depois, venenos de escorpiões e de serpentes lançaram conflito dentro da família. Familiares próximos de Amadeu induziram Ana contra o pai alegando que ao tomar Margarida como esposa estava a trair a memória de Maria. Ana deixou de falar ao pai e ao irmão Luís. A guerra realizada olhos nos olhos e através de mensagens de correio electrónico, pois alguns projécteis bélicos vieram do outro lado do mundo lançar ódios dentro das famílias parou quando Luís recordou a herança da mãe, o desejo, formulado décadas antes de adoecer, e morrer, que o marido deveria casar, se enviuvasse, para estabilidade familiar. Mas Ana, mercê dos tais venenos de escorpiões e serpentes, não mais falou com o pai nem com o irmão.

Luís também gerou filhos. Entre estes, Aurora, assim chamada como a bisavó, que enviuvou logo após casar. Miguel, tu amavas muito o teu tio que partiu tão cedo para junto de Deus e não entendes bem que ele possa ser substituído.

Ouve bem, Miguel, meu neto. O teu tio, lá em cima, no Céu, tem a possibilidade de olhar para nós. Ele olhou para a tua tia viúva e ficou angustiado. Depois de tanto amor que partilharam, ele vê agora aquela que foi a sua esposa cheia de amor para dar, mas só, uma pessoa sempre a ajudar todos, mas sem alguém a seu lado para a proteger, cuidar e amar. O teu tio, como todos no Céu, deseja mais que tudo paz e amor. Ele quer que a tua tia case de novo com a pessoa a quem ela possa amar agora e que a possa fazer feliz.

Nunca fui ao Céu, mas Jesus explicou muito bem como estas coisas se processam. Abre o teu coração e a tua mente, querido neto Miguel, e escuta as palavras do Evangelho e como Jesus, Nosso Senhor, explica com simplicidade estas coisas tão difíceis para as pessoas complicadas.

 

Certo dia, os saduceus, que afirmam que não existe ressurreição, aproximaram-se de Jesus e propuseram-Lhe este caso:

- Mestre, Moisés disse: "Se alguém morrer sem ter filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu". Pois bem, havia entre nós sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem ter filhos, deixando a mulher para o seu irmão. Do mesmo modo, aconteceu com o segundo e o terceiro e assim com os sete. Depois de todos eles, morreu também a mulher. Na ressurreição, de qual dos sete ela será mulher? De facto, todos a tiveram».

Jesus respondeu:

- Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus. De facto, na ressurreição, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do Céu. E, quanto à ressurreição, será que não lestes o que Deus vos disse: "Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob"? Ora, Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos».

Ouvindo isto, as multidões ficaram impressionadas com o ensinamento de Jesus. (Mateus 22,23-33)

 

Como entendes agora, meu neto, no Céu não seremos mais avô e neto, seremos apenas como anjos, irmãos, filhos do mesmo pai, que é Deus. Do mesmo modo eu, o meu pai, a minha mãe e a segunda esposa do meu pai, depois de ele enviuvar, viveremos todos em torno de Deus, como anjos, louvando e dando graças a Deus nosso Pai comum por tudo o que Ele criou, por nós mesmos e pelo amor que Deus reparte continuamente connosco. Deus dá-nos gratuitamente o seu amor para que nós o demos também gratuitamente uns aos outros sem rancores, nem ódios, nem invejas, mas como Deus o dá, com misericórdia, humildade e beleza.

Louva a Deus, todos os dias da tua vida, meu neto Miguel, ama a todos com o mesmo amor que recebes de Deus, e viverás eternamente na companhia de Deus e de todos nós a quem tu amas, se também procedermos como te peço que procedas.

Ámen.

Teu avô Orlando

publicado por nivelar-por-cima às 19:34

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