Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

Bebés hooligans

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É engraçado como tantas pessoas que se declaram democratas são capazes de inscrever bebés recém-nascidos em clubes de futebol. É engraçado, mas não tem graça alguma, porque demonstra bem quanto enganadas as pessoas andam neste mundo, vivendo asfixiadas em dependências estúpidas que apenas põem em questão a racionalidade dos seres humanos.

Não critico as pessoas que assim procedem, mas levanto a questão para que essas pessoas e todas as outras façam uma reflexão sobre si, sobre a nossa sociedade e sobre o futuro, porque, sendo lugar comum é facto, o futuro são as crianças.

Em casa dos meus pais tive plena liberdade de escolha do clube que queria adoptar, o mesmo acontecendo com os meus irmãos. E fizemos escolhas diversas. Fui assim educado.

É lamentável que se fale tanto de educação, dos deveres do Estado na educação, mas os pais, em casa, tantas vezes deseduquem os filhos, bloqueando-os a um clube de futebol.

Lembro uma história com mais de cinquenta anos. Não sei se hoje seria possível, mas não encontro nenhuma objecção a que se repita nestes dias do século XXI em que o futebol em especial e o desporto em geral são razão de ódios, de agressões, de mortes.

Numa mesma casa moravam várias pessoas da mesma família. Uma era criança de cinco anos. O pai era do Benfica e quando ao fim do dia entrava a criança gritava:

- Viva o Benfica!

O tio que também lá residia era do Sporting e quando entrava a criança gritava:

- Viva o Sporting!

Um dia a criança enganou-se e trocou o clube. O estaladão que levou na cara foi tão grande que bateu com a cabeça no móvel do outro lado da sala, partindo a cabeça.

Como é possível matar alguém por ser de outra cor? Como é possível viajar milhares de quilómetros para ir ver o seu clube jogar e, em vez de desfrutar, se opta pela bebedeira farta e pela luta à maneira dos bárbaros romanos.

Recordo a questão dos azuis e verdes no declínio do Império Romano.

No ano 532, quando Justiniano reinava em Constantinopla, as corridas de cavalos e quadrigas motivavam tanto o povo como os clubes de futebol ou os partidos políticos na actualidade, organizando-se claques de fanfarrões idênticas às que existem hoje.

Inicialmente as claques identificavam-se por cores diversas, que se reduziram aos brancos, vermelhos, verdes e azuis, e finalmente a verdes e azuis, que supostamente agregariam respectivamente o povo e os nobres. Para além das corridas, as claques estavam divididas por questões políticas, teológicas, filosóficas, tudo servia para lutarem entre si.

Verdes e azuis odiavam-se, não sabiam porquê, como hoje adeptos de clubes de futebol diferentes se odeiam apenas por ignorância e estupidez.

Há quem não consiga entender como há casas de família onde convivem pessoas adeptas de clubes diferentes.

Quem se regozija são os presidentes desses clubes, os jogadores de futebol profissional, os agentes desportivos, os árbitros, a comunicação social ligada ao tema, enfim, um mundo de gente a ganhar dinheiro à custa dos lorpas que se deixam defraudar, gastam o seu dinheiro e usam o tempo que podiam ter de felicidade para dar e levar porrada.

Voltando aos verdes e azuis, em Constantinopla, sabe-se como acabaram, e foi muito mau. Conseguiram lutar durante cinco dias barricados dentro do estádio, já com intenção de despedir o imperador e assumir o poder.

Esta foi uma causa, não decisiva, mas contribuinte para a queda do Império Romano do Oriente. Diz-se que as tropas leais ao Imperador venceram verdes e azuis e terão morrido uns 30 mil membros de claques. Muitos como em Heysel Park, esmagados pela turba em debandada.

Há quem levante a questão de pais cristãos baptizarem os seus filhos ainda crianças. Que comparação pode haver entre uma questão de fé, de coração ou razão e o clubismo colorido de claques de bêbedos, rufias, zaragateiros ordinários, arruaceiros que são capazes de inscrever os filhos em clubes, acabando por os tornar em seus sucessores nas tais claques que apenas servem, em termos reais, para fazer mal à sociedade?

A fotografia é de um babete com as cores de um clube. Foi o babete que despertou este artigo, mas o leitor pode ler lá o nome do seu clube ou de outro qualquer que use arruaceiros para justificar o mau perder com adversários que jogam melhor. Aos vencedores? Em vez de lhes dar os parabéns, mandam os tais dar-lhes porrada. Lamentável!

 

Orlando de Carvalho

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Sábado, 6 de Maio de 2017

Choque de culturas

Há mais de 13 anos, A. Pereira Caldas lamentava e reprovava a segregação étnica, no jornal Voz da Verdade.

Na ocasião, em Viseu, crianças ciganas tinham sido forçadas pelos pais dos outros alunos a mudar de escola, com o beneplácito das autoridades. E na nova escola, a cena estava a repetir-se.

Os seus argumentos são os valores que se devem sobrepor a tudo o mais. Consideramos esse argumento válido, mas frustrante. É um argumento que não aponta para qualquer horizonte nem projecta alguma melhoria de vida, nem para uma das partes, nem para a outra, uma vez que ignora e não responde às situações concretas.

Recordo, mais recentemente, a situação de crianças imigrantes búlgaras que na escola primária, em Loures, se valiam da sua cultura, da sua corpulência e de terem mais idade que as outras, portuguesas e de outras culturas, nomeadamente africanas e brasileiras, para lhes darem sovas e as roubarem. E quando houve reclamações, os pais búlgaros foram à escola ameaçar as outras crianças. Perante a passividade das autoridades.

Todos conhecemos algum compatriota nosso que é ou foi emigrante, senão temos mesmo dentro da família pessoas que procuraram melhor vida no estrangeiro.

Eu conheci comunidades portuguesas no estrangeiro.

A emigração portuguesa consistia normalmente em ir, trabalhar, amealhar, enviar dinheiro para casa ou estabelecer residência no novo destino, adaptando-se ao novo ambiente. A cultura portuguesa, incluindo a língua e a religião, mantinham-se sem nunca entrarem em conflito com os “donos da casa”, aqueles que abriam as portas e acolhiam, não importa com que benefícios para eles, interessa sim que os portugueses melhoravam quase sempre o seu nível de vida.

Também Portugal acolheu em meados do século passado enormes contingentes de homens cabo-verdianos, contratados por construtores civis que buscavam salários baixos numa guerra que se desenhava em construir depressa e enriquecer ainda mais rapidamente.

Muitas dessas famílias mantêm-se na sociedade portuguesa, com os seus hábitos, mas integradas.

Um cristão, e os portugueses são cristãos na sua génese e no seu fundamental, no pensamento e na vivência social, recebe os refugiados, os emigrantes, os estrangeiros. E sempre ouvi dizer, desde muito novo, que o português recebe bem, sem desmentidos até à actualidade.

Coisas diferentes são acolher bem e deixar-se invadir.

Não existe nesta linha de pensamento qualquer ideia racista e para o explicar recorro ao futebol.

De todas as fontes clubísticas surgem as mesmas acusações. Favorecimento aos clubes grandes, favorecimento aos clubes da casa, mas pior que isso: o futebolista A comete uma falta grave e vê o cartão amarelo, mas se volta a cometê-la, principalmente se é um jogo muito importante, o árbitro não mostra segundo cartão, para não ter de o expulsar, mas mostra a outro jogador que cometa a mesma falta se não tiver de o expulsar. Ora, a lei ou é para cumprir ou não serve para nada.

Em relação aos estrangeiros ou povos de qualquer etnia existe a necessidade de acolhimento, mas de os fazer cumprir a mesma lei que existe para os que já lá estavam.

Se a autoridade age com medo perante uns, sujeita-se a ter de meter a viola no saco quando os outros lhe tecem comentários desagradáveis. E aqui o conceito de autoridade é muito abrangente e inclui muitos actores.

É preciso ensinar a acolher e a tratar com cordialidade, mas ensinar também como se deve reagir, quais as medidas a tomar quando o acolhimento e a cordialidade são respondidos com insulto e agressividade. A lei que existe não dá resposta, pelo menos na prática, e quando ela não funciona surgem os Trump, os Le Pen, que não resolvem nada, pelo contrário, mas parecem ser os únicos a dar resposta aos que são agredidos de variados modos, pelos que são diferentes, pelos hóspedes ou invasores, conforme o ponto de vista, embora estejam na sua própria terra.

O mesmo pensamento se aplica aos novos ateus que querem roubar aos que há séculos ou milhares de anos vivem a sua fé, impedindo-os de exibir cruzes e outros sinais religiosos.

Os portugueses sempre foram cristãos e continuam a sê-lo, de muitas formas o demonstrando. Quando meia dúzia de ateus anti-Igreja impõem determinado regime, fabricam as leis e querem tornar ilegal a prática da língua, da religião, da maneira de pensar, que se há-de fazer?

Estes tipos de ditadura, venham de dentro ou de fora, só servem para amachucar as pessoas honestas e de bem e trazer infelicidade aos cidadãos e às famílias, impondo, normalmente uma cultura de morte.

Que Deus nos valha e nos inspire.

 

Orlando de Carvalho

 

2003.10.19 A Pereira Caldas.jpg

 

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Sábado, 29 de Abril de 2017

Será o Português Lixo Cultural Imaterial da Humanidade?

testamento afonso II a.jpg

  Testamento de D. Afonso II, o mais antigo documento escrito em português, guardado na Torre do Tombo

 

Em Portugal existem 15 sítios classificados como Património da Humanidade. Somos o 17º país do mundo com maior número de sítios com esta classificação.

A ONU, através da UNESCO criou esta classificação quando a construção da barragem de Assuão, no Egipto, ameaçava afundar e destruir importantes templos do Antigo Egipto. Os templos de Abu Simbel e de Philae foram desmontados e novamente montados, pedra a pedra, numa região mais elevada, a barragem foi construída, mas o património foi salvo.

Para além deste tipo de património, a UNESCO criou em 1997 uma lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Em Portugal foram reconhecidos como Património Imaterial da Humanidade as seguintes obras de arte:

 

  • Arte Chocalheira
  • Cante Alentejano
  • Fado (de Lisboa)

 

A Arte da Falcoaria Portuguesa também é uma das artes integradas nesta lista, juntamente com as de Falcoaria de outros países.

 

Património Imaterial da Humanidade?

Que significado poderemos atribuir a esta expressão? E olhando para as integrantes desta lista em todo o mundo, expressões musicais, poéticas, teatrais, que podemos reflectir como portugueses e como cidadãos do mundo?

 

Que em Portugal, para os sucessivos governos desde há umas poucas décadas, são expressões da nossa cultura a Arte da Falcoaria, a Arte Chocalheira, o Cante Alentejano, o Fado de Lisboa, e as mais obras de arte que forem submetidas à apreciação da UNESCO e aprovadas.

 

Um sítio ou uma obra de arte classificado fica sujeito a determinadas regras, do respeito pelas quais fica a depender a manutenção da classificação.

Todos sabemos que há zonas naturais protegidas, monumentos protegidos, em especial este de importância mundial, artes, como o Fado.

 

Espanta saber que a Língua Portuguesa merece menos respeito aos nossos governantes que estas expressões de arte. Fado ou Cante Alentejano cantados numa língua que não seja a portuguesa?

Os governantes de Portugal decidiram a prostituição da Língua Portuguesa. Os governantes portuguesas portam-se como proxenetas que desde há décadas arrastam a língua portuguesa pelos bordéis do comércio livreiro e outro, violam as crianças e os jovens da sociedade na sua inocência linguística, obrigando-os a participar desta rede de prostituição que abusa e viola os direitos mais elementares das gentes lusíadas.

Uma língua evolui, como uma pessoa cresce e amadurece. As formas anatómicas das meninas e dos rapazes são a prova de que existem, de que estão vivos, e todos queremos que amadureçam e sejam felizes. Também a língua de um povo, a Língua Portuguesa.

Quem se aproveita de uma menina ou de um rapaz para seu proveito, usando-o como se já tivesse amadurecido, antes de amadurecer, denomina-se pedófilo.

 

Os governantes portugueses que querem impor um amadurecimento da língua portuguesa que não condiz com a Natureza, não passam de proxenetas e pedófilos.  Não são gente de bem. São comerciantes que procuram os seus interesses contra-natura. É preciso que todos tenhamos consciência disto e nos comportemos como pessoas de bem. Não viremos a cara para o lado quando ao nosso lado alguém afirma que mais importante que a Língua Portuguesa é o fado.

Ó Amália!

Ó Pessoa!

Ó Luís Vaz!

Ó Rei Poeta!

Não tereis de vos enojar se nós, vossos herdeiros, soubermos proteger o património que nos foi legado.

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 18:57

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Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

Onde param as andorinhas?

Onde param as andorinhas?

 

Os burros acabaram!

As joaninhas acabaram!

As lontras acabaram!

As raposas estão a acabar!

 

Os veados emigraram!

(Mas o sarampo voltou!)

Os bois pachorrentos com cornos altaneiros que circulavam nas estradas, tanto mais altaneiros quanto mais a norte, até ao Minho, perderam a licença de circulação!

Os mochos e as corujas, nem de noite!

 

Em Lisboa a ordem é matar os pombos à fome!

 

O camarão de Espinho e o seu primo de Quarteira, ou se esconderam nalgum palácio real, ou morreram afogados!

As figueiras contractaram congéneres turcas para fazerem o seu trabalho e, sem dar fruto, sentiram o machado nas costas!

As tangerinas, as verdadeiras… só as travestidas de clementinas, marroquinas, etc., sobreviveram!

Só os eucaliptos proliferam, coitados de nós!

 

E as andorinhas, onde param as andorinhas?

As mulherzinhas muito arrumadas e higiénicas todos os anos lhes varriam os ninhos, para acabar com aquela sujeira!

Os homenzinhos muito aprumados mudaram-lhes o clima e elas já não sabem para onde ir? Afogam-se no mar?

Este ano vi meia dúzia de andorinhas uma ou duas semanas antes da data da chegada da Primavera e não voltei a vê-las. Onde andais andorinhas?

Quem vai cortar os ares com a vossa agilidade? Onde vão as crianças ver tamanha destreza a fabricar ninhos?

Voltai andorinhas, voltai!

 

 Orlando de Carvalho

 

publicado por nivelar-por-cima às 14:45

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Gente morre de fome

DSCF2458.JPG

 Metade do arroz de pato não foi comida e vai para o lixo

 

É muito comovente olhar as fotos de criancinhas em África, pretinhos de barriga inchada, cheios de moscas pelo corpo, com legendas apelativas informando que todos os dias morrem crianças daquelas com doenças facilmente curáveis, por descuido da comunidade internacional, bem organizada para ajuda aos mais frágeis, mas com resultados muito insuficientes, morrem crianças todos os dias com sede e com fome.

É óbvio que a culpa é dos papões capitalistas que se alimentam de armas vendidas para matar os pais dessas crianças, que se alimentam do fabrico e venda de alimentos inadequados para essas crianças e para o nível económico das sociedades em que vivem.

É óbvio que andam muitos a rezar e a pedir orações para essas crianças, mas tantos afirmam que isso não passa de uma treta para empatar o tempo ou para descansar a consciência.

DSCF2456.JPG

 Quase metade da comida comprada ficou para os empregados da limpeza deitarem no lixo

 

É óbvio que a culpa será de muitos, mas não minha. Que posso eu na Europa civilizada fazer? Não obstante os jovens que anualmente se inscrevem para partir como voluntários para África e outros lugares onde ocupam as férias escolares a auxiliar gente necessitada, seja ajuda alimentar, seja educativa, seja no campo da saúde. Mas esses jovens, passado um mês estão de volta às suas casas e os desgraçados continuam à mercê dos seus governantes, ditadores ladrões e corruptos, que pensam mais em comprar castelos em França ou empresas em Portugal, que alimentar os filhos da sua Pátria.

Que podemos nós fazer, nesta Europa civilizada e distante de tudo isso?

Podemos começar por ser civilizados.

Passamos nas esplanadas dos centros comerciais e das chamadas grades superfícies e vimos os pratos deixados cheios de comida que irá para o lixo, senão para alimentar ratazanas ávidas de restos e cheias de doenças para propagar.

DSCF2457.JPG

 Embora muitos pensem o contrário, isto não é civilização. Os bichos na selva, colhem um fruto ou caçam uma presa, alimentam-se e abandonam os restos. Nós não somos melhores que eles a proceder assim. 

 

Somos tão ricos que podemos pagar 6 euros de comida e deixar no prato 2 ou 3 ou 4 euros dessa comida que pagámos para ir para o lixo?

Somos mesmo estúpidos!

A sociedade global está organizada em ordem aos interesses dos poderosos que assim a organizaram e mantêm, mas quem com eles colabora não é melhor que eles. Como o ladrão que vai ao pomar e o ladrão que fica de vigia.

Se cada um de nós, eu, sim, eu, e tu, sim, tu, não os outros indefinidos, mas pessoas concretas, não deixarmos que nos encham o prato demais, que ponham no prato coisas que não comeremos, se fizermos um esforço para comer tudo e comer menos na próxima refeição, se levarmos para casa os restos que não comemos, já estamos a contribuir para não desperdiçar comida.

DSCF2455.JPGÉ pecado social desperdiçar comida quando gente morre à fome. Ainda que não lhes possamos levar meio bife, podemos acumular nalguma espécie de mealheiro todos os meios bifes, e muitos meios bifes de muitas pessoas podem fazer a diferença numa família em que as crianças choram:

- Tenho fome.

 

Orlando de Carvalho

 

publicado por nivelar-por-cima às 11:29

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Terça-feira, 25 de Abril de 2017

25 Abril 2017

IMG-1435905737725-V.jpg

Hoje é 25 de Abril, em Portugal é dia de falar da liberdade.

Falemos então, não daqueles que têm voz e liberdade para se fazer ouvir, mas dos outros.

Não das minorias religiosas ‘perseguidas’ em Portugal, mas da liberdade dos pais poderem exigir ou pedir ou requerer nas escolas que seja respeitado o jejum quaresmal católico das suas crianças.

Não daqueles que são capazes de fazer petições, mas dos que são ignorantes, pouco mais que analfabetos.

Não dos que são capazes de se manifestar nas ruas, mas daqueles que nem greve podem fazer.

Não das liberdades e direitos para aqueles que têm lugar privativo grátis para estacionar o veículo à porta do trabalho, onde vão esporadicamente, mas daqueles que têm dificuldade em pagar o bilhete de transporte para o trabalho e daqueles que nem trabalho têm.

Não dos direitos e liberdades dos que são pagos por dez ou doze empregos e não trabalham em nenhum, mas pela liberdade dos que sustentam esses parasitas.

Não pela liberdade das crianças em terem o direito a mudarem de sexo, em aprenderem correctamente o que são relações sexuais homossexuais, heterossexuais, transexuais, no âmbito da zoofilia ou da necrofilia, mas da liberdade das crianças em aprenderem a ser pessoas responsáveis e respeitadoras dos outros e a serem respeitadas como seres humanos frágeis e sensíveis.

Não da liberdade ao aborto, mas de outro valor muito maior que é o direito a ter condições para gerar e criar e educar o número de filhos que os pais tiverem.

Não da liberdade ao divórcio como regra estabelecida a priori no casamento, como sendo princípio gerador de felicidade, mas do respeito da liberdade pelo outro, pelo cônjuge e assumir com paciência os seus defeitos.

A liberdade chegou e as crianças estão proibidas de trabalhar, excepto se for no âmbito do espectáculo, fazendo enriquecer os pais e outros adultos envolvidos.

Não da liberdade de voto, singela, mas da liberdade de qualquer pessoa poder ser chefe de governo sem estar enfeudada a nenhuma estrutura partidária limitativa da liberdade.

Não da liberdade para cirurgias estéticas, tão hipócritas em muitos casos, mas da liberdade para doentes a sério serem atendidos no Serviço Nacional de Saúde antes de ficarem inválidos ou de morrerem.

Se neste dia da liberdade todos pensássemos em respeitar a liberdade dos outros e não em fazer valer os nossos direitos, pela força se necessário, como se isso fosse liberdade, então talvez houvesse alguma liberdade civil.

 

Orlando de Carvalho

 

publicado por nivelar-por-cima às 19:29

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Domingo, 23 de Abril de 2017

Sarampo

sarampo guiné conacri.jpg

 

Uma provável causa da Queda do Império Romano são as doenças infecciosas importadas de povos conquistados e para as quais os cidadãos romanos não tinham prevenção nem tratamento. O sarampo poderá ter sido uma das principais senão a principal.

Nas Américas, os indígenas não tinham defesas naturais contra doenças que os europeus exportaram e lá não existiam. Era normal um nativo americano morrer de uma constipação. Segundo alguns historiadores, perto de 100% das mortes de nativos depois da chegada dos europeus teve origem no sarampo e noutras doenças.

Quando se viaja para determinados países têm de se tomar vacinas para prevenir a contaminação e importação de doenças infecciosas para países onde não existem ou já estão extintas.

A OMS ou algum governo tomou medidas preventivas no sentido de vacinar os emigrantes que estão a invadir a Europa? Não se trata de lhes fechar ou não a porta, mas de os vacinar contra o sarampo e outras doenças erradicadas da Europa. Elegemos acéfalos para governarem os nossos países e a Europa. Até parece que somos todos acéfalos também. Não nos protegemos, nem fazemos bem aos refugiados ou emigrantes que chegam.

Que nos lembremos do fim do Império Romano ou das civilizações no Novo Mundo. Depois, cuidemos de proteger as nossas crianças, vacinando os recém-chegados.

Vacinar as refugiados na Europa: Já!

publicado por nivelar-por-cima às 19:45

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Sábado, 15 de Abril de 2017

Tanzânia de John Magufuli

Tanzânia John Magufuli.jpeg

 

John Magufuli, presidente (ou Primeiro-ministro) como Portugal precisa

Recebi esta informação de um amigo. Não conhecia e estranhei. Fui confirmar. Pois, por exemplo, a Wikipedia em inglês, confirma a maior parte dos dados, mas em português apenas cita que John Magufuli existe. Estranho, não é. A quem não interessa que isto se saiba?

 

John Magufuli tem 56 anos e foi eleito Presidente da Tanzânia a 5 de Novembro de 2015, sendo conhecido por Bulldozer pelas mudanças radicais que implementou.

Alguns dos cortes que ele tem feito:

  • Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não celebra oficialmente o dia da Independência, 9 de Dezembro, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando “o nosso povo está a morrer de cólera” e não só.
  • Não há mais viagens para fora, as embaixadas deverão tratar dos assuntos no exterior. Se for necessário viajar, uma permissão especial deverá ser dada pelo Presidente ou pelo seu Chefe de Gabinete
  • Acabaram-se as viagens em 1ª classe e classe executiva – com excepção do Presidente, o Vice-presidente e o Primeiro-ministro
  • Acabaram-se as conferências e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias
  • O Presidente Magufuli perguntou por que razão os engenheiros recebem carros topo de gama se as carrinhas são mais práticas para o seu trabalho
  •  Acabaram-se os subsídios. Por que motivo são pagos subsídios se as pessoas recebem salários; aplicável também aos parlamentares
  • Todos os indivíduos ou empresas que tenham comprado empresas do Estado, que foram privatizadas, mas não fizeram nada com elas (passados 20 anos) ou as fazem recuperar imediatamente ou as devem devolver ao governo
  •  John Magufuli cortou o orçamento da inauguração do novo Parlamento de 100 mil dólares para 7 mil dólares.

 

publicado por nivelar-por-cima às 15:51

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Domingo, 9 de Abril de 2017

Laços e velas pelo cancro

Fazem-se minutos de silêncio por pessoas que morreram. Isso beneficia os mortos ou traz alguma paz de consciência aos que silenciam?

Usam-se laços cor-de-rosa em relação com o cancro da mama. Os laços rosa têm poder curativo? Evitam o cancro da mama? As doentes tiram algum benefício disso? Dá vida a quem morreu de cancro da mama?

Menos conhecidos, também se usam laços azuis na guerra ao cancro da próstata…

Circulam nas redes velas, com várias especialidades, mas com maior incidência “se perdeste alguém que amas, faz esta vela circular”, ou “se conheces alguém que morreu com cancro…”.

Que perda de tempo!

Aceito que o faça quem acreditar que com estes actos consegue beneficiar alguma pessoa. De contrário… trabalho, pragmatismo, mesmo sonho, mas rituais praticados por quem não lhes vislumbra qualquer objectivo ou utilidade… é ridículo.

publicado por nivelar-por-cima às 23:49

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A desacreditação da sociedade

zona pedonal.jpg

 

Quando eu era criança, tinha a noção que ser médico, ser professor, ser padre, ser juiz, era sinal de idoneidade.

Essa perspectiva, eu bebi-a da sociedade. Associar padre e gatuno parecia pecado.

Hoje parece que tudo mudou. Mas talvez nada tenha mudado além da abertura para falar claro e chamar as coisas pelos seus nomes.

Médico surge associado a erro médico e a corrupção ou abuso sexual quando passamos as páginas dos jornais ou da Internet.

Professor… os professores são a classe profissional que mais necessidade sente de se lastimar nas redes sociais.

A RTP associa o nome do ecónomo do Patriarcado de Lisboa a fraude.

Os fiéis ficam indecisos em relação a contribuírem para a Caritas.

A justiça dos tribunais é motivo de troça, senão na comunicação social, nas conversas entre pessoas que olham para as sentenças proferidas, para as penas suspensas, para tanta injustiça e não entendem como é possível.

Por que razão não há-de haver gatunos entre os médicos, os professores, os padres, os juízes?

A ex-candidata à Presidência da República tinha sido acusada de desviar dinheiro oferecido para o tratamento de doentes cancerosos em arranjos de flores para conferências.

As pessoas comuns, aquelas que não roubam mesmo porque não podem roubar, porque não têm maneira nem acesso a condições para roubar, não entendem isto, desanimam, não votam, não querem saber da política, isto é, de como vai o governo e a gestão da cidade, do país. Mas é entre estes que não podem roubar que se encontram os presos por roubo: num supermercado, por exemplo, num pequeno cheque sem cobertura. Porque estes não têm condições para contractar advogados daqueles que fazem parte das classes profissionais acima referidas e vão presas.

A um católico pode bastar confiar na Justiça Divina que se revelará no final dos tempos. Uma pessoa sem fé, no outro extremo filosófico, pode precisar de recorrer a uma justiça que não seja a politicamente correcta, que não seja a de Deus, mas que infelizmente desça ao nível daqueles que governam os países, as empresas, o emprego, o dinheiro que não lhes pertence.

Em Portugal, cada cidadão, revela a comunicação social de hoje, emprestou à Caixa Geral de Depósitos, via governantes indignos, cerca de mil euros. A um casal com três filhos roubaram, portanto, cinco mil euros. A este valor existe o que roubaram para manter o nível de vida de alguém, via governo e administrações de BES, BPP, BPN, BANIF, MG, talvez alguma destas siglas esteja a mais e devem faltar aqui algumas. Parece um carrocel de siglas ladronas.

publicado por nivelar-por-cima às 21:13

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