Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Viaduto de Alcântara

viaduto alcântara.jpg

Há muitas décadas atrás foi construído um viaduto PROVISÓRIO em Alcântara, com validade de alguns meses, enquanto demorava a construção de um novo. Urgia resolver a questão de uma passagem de nível. Muitas décadas depois, parece estranharem que o viaduto provisório com validade de alguns meses esteja a cair.
Cambada de incompetentes que os lisboetas elegem para governar a cidade!

Orlando de Carvalho

 

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Sábado, 18 de Março de 2017

Valores beirões

IMG_20150705_114017.jpg

 

Sentado na esplanada do Café Argus, observo o cauteleiro. Trata-se de um cavalheiro e não de um homenzinho nem de um pedinte, pela maneira como veste, calça, fala, enfim, como se apresenta. Não anda com as cautelas na mão, mas dentro de uma capa, onde há outros papéis, como se fosse um universitário. Ele até podia ter as cautelas dentro da capa por estar a fazer algum negócio ilegal, mas não é dele que estou a falar, ele é o paradigma que escolhi para as gentes daquele lugar.

Quando ando pelas ruas de Arganil e vejo os filhos da terra, tenho a sensação de viver na sociedade (lisboeta) dos finais do século XIX, início do século XX. Tem um pouco a ver com o aspecto das pessoas, mas eu acredito que o aspecto revela algo do coração. O corte da barba e do cabelo dos homens, o vestir das senhoras… evocam, no meu espírito, gente que acredita em valores. Podem ser valores diferentes dos meus, e são-no muitas vezes, eu sei, mas são valores. É bom ter valores, melhor se forem justos, claro.

Não vejo pessoas a vestirem à antiga nem me parecem pessoas com ideias antigas ou retrógradas.

O que vejo em Arganil, via em Góis há poucas décadas, mas já não vejo. O que não é necessariamente bom nem mau. É uma época, que está viva em Arganil – por quanto tempo? – e que já terminou em Góis.

Hoje as pessoas são mais despreocupadas – há dias, numa oficina automóvel, usaram esta palavra para se referirem à irresponsabilidade de um mecânico. Talvez a despreocupação tenha alguma relação com a irresponsabilidade. Ainda não pensei bem no assunto. Talvez não haja qualquer ligação.

Agora vejo claro. São homens e mulheres de honra, dos que são referidos na literatura de há cem anos, talvez um pouco mais, que me evocam as pessoas que vejo percorrerem aquelas ruas. Os que se reuniam em tertúlias nos cafés, escritores, poetas e pintores e outros que tais e alguns nada disso.

Agrada-me vê-los no café, vestidos e a falarem como no Chiado ou no Rossio de Lisboa no final da monarquia. E até à década de 1960 ou 70, até os bancos tomarem conta desses cafés, como o Diário Popular ecoou então. Não concordo nem discordo com os pensamentos deles, mas são uma bela imagem. Acredito que são valores de há 100 anos. Ou de sempre. Ou de nunca. Numa sociedade tão carente de valores e de quem dê testemunho de valores.

 

Orlando de Carvalho

publicado por nivelar-por-cima às 12:37

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Sexta-feira, 3 de Março de 2017

Quando o Carmo cair no Rossio

damasceno monteiro sic notícias.jpg

 

Lisboa está localizada numa das zonas de maior perigo sísmico do nosso planeta. Todos o sabemos.

Alguns também sabem que em Lisboa a actual Avenida da Liberdade já foi um rio e o conjunto Rua da Palma e Avenida Almirante Reis foi outro rio. Que a margem sul do estuário do Tejo é formada por muitos esteiros, ao contrário da margem norte, isto é, Lisboa, onde a erosão das correntes fluviais do Tejo e dos afluentes que atravessavam Lisboa, em direcção ao mar, e as frequentes inundações e deslizamento de terras subsequentes alisaram a costa e as encostas das colinas olissiponenses num processo de erosão contínuo.

As inundações da baixa de Lisboa são ainda uma realidade no século XXI, tanto as que não podem ser evitadas, porque as forças da natureza nunca ninguém as venceu, como as que existem por incúria e incompetência, todos sabemos de quem. As explicações dos políticos, nessas ocasiões, podiam ser compiladas num livro de anedotas.

Agora, o cidadão comum começa a perceber (será que começa mesmo?) que o dinheiro é gasto a alargar umas ruas e a estreitar outras, consoante o estilo artístico preferido do presidente eleito para cada mandato, mas o cuidado que a edilidade devia ter, não existe. Provavelmente porque não é obrigatório ser-se alfacinha para ser presidente de câmara, qualquer pessoa, mesmo sem capacidade para amar Lisboa, pode sê-lo se estiver bem colocado dentro de algum partido.

Agora é a Graça a cair para a ribeira da Rua da Palma. Amanhã pode ser o Carmo a deslizar para o Rossio.

Mas, seja qual for o mandato, e neste concretamente, há sempre um presidente ou outro responsável da autarquia a vir sorridente informar que o perigo já passou, que está tudo bem, que não há razões para preocupação. Nem mesmo que a fiscalização e vigilância da câmara actuassem, isso seria verdade, quanto mais assim.

Quando o Carmo cair no Rossio… irá só, porque da Trindade já nada resta.

publicado por nivelar-por-cima às 22:49

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Decreto-lei hermafrodita

caracol hermafrodita.jpg

 

De manhã chegou a notícia de que não iam faltar medicamentos para tratar qualquer doença para a qual existissem remédios, nem haveria mais pessoas em fila de espera para uma cama de hospital.

Perdão, foi engano na notícia. De manhã chegou a informação de que os refeitórios do Estado (será isso?) passam obrigatoriamente a ter comida vegetariana.

A troca foi porque pensei que a notícia verdadeira era anedota, mas é apenas a constatação de que o governo se ocupa com as principais do país.

 

De tarde chegou a notícia de que a partir do fim do mês há médico de família para todos os portugueses.

Não, esta vê-se logo que é anedota, esta é a notícia errada. Vem aí a verdadeira.

A partir dos 16 anos de idade, qualquer pessoa pode decidir se quer ser rapaz ou rapariga, independentemente do que tiver no meio das pernas.

Ficamos à espera que a lei determine rapidamente a liberdade de cada pessoa, a partir de… 16 anos, talvez, escolha se quer ser doente crónico, doente agudo, doente mental ou de boa saúde. Aquela do doente mental não foi lapso. Foi uma indirecta para os governantes.

 

Os caracóis são hermafroditas. Quer dizer que cada caracol tem, de origem, os dois sexos. Quando se encontram dois caracóis, cada caracol é ele e ela. O caso dá-se nos dois sentidos. Oxalá o governo não se lembre de decretar que passamos todos a ser hermafroditas.

publicado por nivelar-por-cima às 22:21

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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

De Jesus a Maddie McCann

Perder um filho.jpg

Pais aflitos, pais ansiosos, pais à procura de filhos, que se perderam na praia, no mar, no bairro, na serra, que se perderam na vida, com os amigos, são pais contraídos, pais cabisbaixos, silenciosos, pais que gritam pelos filhos desaparecidos, chamando-os, usando os meios que podem e sabem.

Pais que usam a exposição à comunicação social e parecem ganhar dinheiro à custa dos filhos desaparecidos, são outra história.
Há pais que não seriam capazes de encetar uma batalha judicial para serem indemnizados por um erro médico contra o seu filho, pelo recato que a si mesmos exigem naquela relação familiar.
Quantas são as famílias que não perderam já de vista um filho? Mesmo Jesus se perdeu, e por culpa sua, de Maria e José, que não terão estado suficientemente atentos.
Parece que os pais da criança desaparecida já receberam bastante dinheiro. E continuam em tribunal, e querem continuar, para receber mais.
Por mais inocentes que sejam, este não é o modo de convencer ninguém.
E qual a razão porque a imprensa inglesa os defende tanto, quando sabemos que há tantas crianças desaparecidas? Mesmo o governo inglês veio em sua defesa? Até o papa acabou arrolado na defesa.
Coisa muito triste.
Naquele Reino Unido, certamente se os pais fossem portugueses, os outros filhos já lhes teriam sido retirados.
 
 
 
publicado por nivelar-por-cima às 14:49

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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Intoxicação a pedido

incêndio enxofre.jpg

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017, pela madrugada deflagrou um incêndio em instalações fabris, em Setúbal. Eu soube desse acontecimento pelas notícias da manhã, em que também informavam que as populações estavam a ser aconselhadas a recolher-se dentro das suas casas, com as janelas fechadas e calafetadas para se protegerem dos imensos fumos perigosos que estavam a desprender-se.

Eu percebi de imediato o logro que isto implicava. Se o fumo é perigoso, as pessoas são aconselhadas a isolar-se, no meio do fumo e à mercê de todas as infiltrações possíveis?

Depois vieram os encerramentos das escolas, mas as notícias continuavam a falar em as populações se protegerem, fechando-se nas suas casas.

Finalmente começaram os internamentos por intoxicação por fumos.

As mazelas que ficarem… daqui a algum tempo, quem vai conseguir provar que são consequência desta brincadeira.

O procedimento normal seria as pessoas terem sido aconselhadas a abandonarem as suas casas, ficando a vigilância a cargo das forças policiais. Para quem não tivesse alternativa para se instalar, seria accionado o seguro da empresa onde deflagrou o fogo, e as pessoas seriam instaladas, inclusivamente em hotéis, se necessário.

Quem defende os mais fracos, os que estão no fim da cadeia social? Parece que ninguém.

A Protecção Civil é tão útil como se constatou. Nestas situações mais parece uma das muitas esponjas de dinheiro. Quem foi incompetente? Vários. Quem ganhou? Para já a seguradora ou a empresa se não possuía seguro adequado.

 

publicado por nivelar-por-cima às 19:46

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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Corveia

corveia.jpg

Durante a Idade Média os senhores feudais, nobreza e clero, levavam uma vida despreocupada, obrigando pela força das armas, das leis que eles mesmos faziam e muitas vezes invocando em vão o santo nome de Deus.

Um destes métodos de opressão chamava-se corveia.

A corveia existiu desde há milhares de anos, já no Egipto e também na Ásia. Permaneceu na Idade Média.

A pessoa que habitava nalgum lugar ficava automaticamente sujeita ao senhor desse lugar, sendo seu vassalo. Para pagar a possibilidade de habitar tinha de pagar, recebendo supostamente protecção, podendo usar o castelo como abrigo em caso de ataque inimigo.

A corveia consistia na obrigação de trabalhar metade da semana para o senhor feudal, sem qualquer pagamento. Uma forma subtil de escravatura. Como foi possível multidões terem vivido tanto tempo em regime de escravatura total?

publicado por nivelar-por-cima às 19:38

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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017

Banalidade

trabalho feudal.jpg

 

Chama-se banalidade o direito que o senhor feudal tinha de impor aos vilões a utilização do seu moinho para moer os grãos de cereais, o seu forno para cozer pão, o seu balneário, o seu lagar para produzir azeite. Este direito estendia-se à proibição de os subditos erguerem sistemas concorrentes, para seu uso particular ou quaisquer outros, sendo alvo de castigos e penalidades nesse caso.

Em França, nalguns lugares, só o senhor tinha direito a ter boi ou javali e o vilão que provocasse deliberadamente o coito entre pares bovinos ou porcinos ficava sob a alçada da lei.

As banalidades foram abolidas em França no dia 4 de Agosto de 1789 (20 dias após a Revolução). Muitas banalidades se mantiveram por toda a Europa, incluindo Portugal até ao século XIX.

Como foi possível alguns infligirem tanto sofrimento e exploração a tantos!

publicado por nivelar-por-cima às 20:30

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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Jogar póker com os acordistas

 

O bom jogador de póker (creio que o termo póquer não é consensual) não é o que sabe muito bem as regras, mas o que sabe olhar nos olhos do adversário e perceber quando é o momento de ceder para não perder mais ou de avançar de modo estratégico, porque o adversário já está derrotado e quanto mais ele se arrastar a pensar que nem tudo está perdido, maior será o ganho daquele que vai sair vitorioso.

O mesmo pensamento está presente nas discussões de mercado, fosse no Norte de África há uns anos (ainda é?) ou nas feiras de ciganos. ´Seria interessante comparar os métodos. O cigano normalmente cede no preço porque já estava a contar com isso quando elaborou a tabela. O chinês não faz descontos. Baixa logo o preço ao máximo, ou faz parecer isso, e não faz favores.

Jogo e negócio de feira para falar de palavras.

Finalmente e pela primeira vez os acordistas cederam. Embora apenas nalguns casos, cederam. Este é o momento de olhá-los nos olhos, profundamente com a sagacidade e lucides do jogador de póker ou a argúcia do cigano ou do magrebino. Eles não tinham preço fixo, como têm os chineses, eles têm pés de barro.

Se os iluminados da Academia das Ciências cederam em 5%, há que saber encará-los com a serenidade conveniente. Esperar que cedam mais 5% por cento, até à derrocada final, ou exigir já mais e mais.

A arrogância começa a desvanecer-se. Já admitem melhorar. Que melhorem, de degrau em degrau, até à consumação da esperança da comunidade lusófona, até à erradicação da afronta que foi feita a quem fala português.

É necessário fazê-los cair em contradição, o que nem é difícil, porque a tese deles não é coerente.

É altura de parar de gritar contra o AO90, ignoremo-lo. Exaltemos apenas a língua portuguesa, exigindo que seja respeitada. Ela é a herança que recebemos e a que temos que deixar.

publicado por nivelar-por-cima às 20:38

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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017

Trump tem razão

Trump: O México pagará pelo muro a erguer na fronteira entre os dois países.

Para se entender como os muros são algo muito caro aos americanos, recordamos algumas fotografias de Berlim.

 

muro berlim fuga.jpg

Fuga para a morte ou da morte de quem resistiu aos comunistas. O muro era para os não comunistas não poderem fugir em liberdade para a liberdade. Os americanos apoiam os muros?

 

muro berlim fuga morte prisão.com

 Talvez um americano ou um alemão apoiante dos americanos preso pelos soldados da Alemanha Oriental, ao tentar passar o muro. Os americanos apoiam os muros?

 

muro berlim morte.jpg

 

Este ia atravessar o muro. Anticomunista. Mas os americanos defendem os muros. Alguns pensam que muros, depois de Berlim, nunca mais.

 

Trump: Falei com oficiais dos serviços secretos e perguntei-lhes: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E eles responderam-me: ‘Sim, absolutamente!’

Sim, quero trazer de volta a tortura.

 

tortura vietname do norte.JPG

Assim os norte-vietnamitas, os vietcongs torturaram os soldados americanos. Donald Trump acha bem. Será que os veteranos de guerra americanos do Vietname tamb+em acham? É que Trump nem soldado foi.

 

menina vietnamita.JPG

Houve tempos em que os americanos combateram a tortura. Salvaram vietnamitas inocentes de serem torturados ou mortos. Hoje o presidente americano acha que a tortura é boa e quer torná-la oficial. O retorno à Idade Média?

 

Trump quer que o México pague o muro que ele vai construir. Vai certamente chantagear. Ele que devia pelo menos fingir usar métodos legais e honestos. Mas nem impostos paga! Ele quer humilhar a vítima. Na China, as execuções à morte são com um tiro na nuca. Se a família do infeliz que foi condenado à morte por não ser comunista quiser receber o corpo para fazer o luto tem de pagar ao Estado o valor da bala.

 

execução nuca china.jpg

  Humilhação total! Trump ao querer fazer o México pagar o muro está a fazer como os chefes comunistas da China.

 

publicado por nivelar-por-cima às 17:52

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